Uma devassa realizada nas contas do Lar Bom Samaritano de Londrina apontou diversas irregularidades que totalizariam R$ 146 mil. O levantamento foi encerrado ontem pela Auditoria Interna da Prefeitura Municipal de Londrina, que investiga o repasse de dinheiro público para cerca de 70 entidades da cidade.
O relatório apontou omissão de receita, desvio de finalidade durante a compra de produtos, pagamentos sem notas fiscais e diferenças salariais que chegam a R$ 21 mil (veja quadro). ‘‘Avaliamos detalhes como a realização de promoções, compra de equipamentos e até a queda significativa na arrecadação de donativos’’, explicou o auditor Oswaldo Lima.
Entre as irregularidades estariam a aquisição de mercadorias ‘‘que não fazem parte do dia a dia da casa’’, como flores, celulares e alimentos incomuns ao cardápio oferecido aos cerca de 120 pessoas que buscam abrigo diariamente. ‘‘Identificamos a aquisição de palmito, champignon e até bacalhau. As compras caracterizam desvio de finalidade e somam R$ 5,8 mil’’, disse Lima.
O levantamento completo, realizado sobre a contabilidade de janeiro de 1997 a outubro do ano passado, será enviado hoje à diretoria da entidade e também à Procuradoria Municipal. A Folha tentou encontrar ontem o ex-administrador do Bom Samaritano, Thirso Canela, mas não conseguiu contactá-lo. Canela e os demais integrantes da diretoria renunciaram o cargo em dezembro do ano passado, logo depois que as primeiras irregularidades foram apuradas.
Atualmente, uma ‘‘comissão provisória’’ assumiu as administração do local. ‘‘O Conselho Deliberativo está estudando mudanças no estatuto da casa para que novos problemas sejam evitados no futuro. Uma nova diretoria pode ser definida em março’’, comentou a secretária de Ação Social, Maria Luíza Rizotti.
Além de receber desabrigados, a entidade mantém uma creche com cerca de 100 crianças. A Auditoria Municipal vai avaliar ainda as contas de outras entidades filantrópicas, incluindo as 63 creches existentes na cidade. Atualmente, estão sendo investigadas as contas da Companhia de Habitação (Cohab-Lda) e da Secretaria de Educação. Autarquia do Meio Ambiente (AMA) será avaliada a partir da semana que vem.

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