Lar devolve esperança para os doentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de junho de 1998
Paulo Pegoraro 
Discriminados pela sociedade e pelas famílias, portadores do vírus HIV e doentes de Aids de Cascavel têm encontrado solidariedade e respeito no Lar Esperança, onde recebem atendimento nas áreas médica e de assistência social.
A instituição funciona há 10 meses, por iniciativa da comunidade católica, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Catedral), no centro da Cidade. Parte do dízimo recolhido pelos fiéis é destinada à manutenção do Lar, cuja instalação foi estimulada pelos próprios padres.
O pároco Valentin Grapeggia diz que a idéia de criação do Lar Esperança foi inicialmente levada aos fiéis durante as missas e havia alguma preocupação com a receptividade, por parte dos setores mais conservadores. No entanto, tivemos total apoio, o que nos motivou definitivamente a levar em frente o projeto, relata.
O passo seguinte foi alugar um espaço adequado, optando-se por uma casa na região central (Rua Joaquim Távora), pela qual é pago o aluguel de R$ 350,00 mensais.
Quando souberam da destinação da moradia, alguns vizinhos chegaram a articular reação, considerando incômoda a vizinhança com os portadores do vírus e doentes de Aids. Alegavam inclusive que passariam a correr riscos de contaminação, inclusive pelo lixo que poderia ser revirado por crianças ou cachorros antes de ser recolhido pelo serviço de coleta.
No Lar há espaço para 15 pessoas, mas atualmente seis estão no local. Elas têm entre 20 e 38 anos e a maioria tem famílias. Outros dois doentes têm tratamento custeado pela instituição em São Paulo. O Lar também presta atendimento a 13 pessoas que vivem com suas famílias.
O custo mensal do Lar é de R$ 1,7 mil, fora o trabalho dos voluntários e doações de remédios, alimentos e outros materiais. Roseli Vascelai, 39 anos, quatro filhos, presidente da Associação Nossa Senhora Aparecida, responsável pela instituição, divide seus dias entre os doentes e os negócios da família.
Esta aqui também é nossa família, afirma Roseli, para quem os doentes precisam acima de tudo de respeito, carinho e compreensão. Roseli afirma também que a sociedade deve se abrir definitivamente, superando a discriminação aos doentes, mas eles próprios precisam assumir-se nesta condição.
Não podem se esconder. Devem ir para a vida coloridos com as cores de quem é parte da sociedade. Ou então ficarão para sempre no preto e branco, raciocina. A presidente da associação afirma que, além das dificuldades naturais para manutenção do Lar, a maior preocupação é com a falta de oportunidades de emprego para os doentes.
Entre os atendidos há mecânicos, jardineiros, pintores e auxiliares de serviços gerais, mas quando eles tentam empregos acabam recusados depois do exame médico.


