Lapierre apresenta as técnicas que revolucionaram a pedagogia
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Guilherme Pupo, 
de Curitiba
Kraw PenasAndré Lapierre: Recriar as condições da comunicação primáriaQual é a melhor maneira de educar uma criança? Para o criador da psicomotricidade relacional, o francês André Lapierre, a relação com a criança não pode acontecer em sentido único, na qual o adulto atua sempre consciente e racionalmente sobre a criança. Os comportamentos da criança, especialmente os mais autênticos, despertam um eco no adulto, envolvem-no pessoalmente, provocando respostas que nem sempre são conscientes, e nas quais ele expressa seus próprios problemas.
Lapierre esteve ontem em Curitiba, onde ministrou palestra para cerca de 300 funcionários das secretarias Municipais da Criança, Saúde, Educação e da Fundação Cultural de Curitiba. O tema abordado na conferência foi Adulto diante da criança: uma relação de ajuda.
Desenvolvida há cerca de 30 anos por Lapierre, a psicomotricidade relacional procura estudar a linguagem corporal de crianças e adultos, buscando o desenvolvimento da personalidade. O método revolucionou a pedagogia tradicional, propondo uma visão global da criança - considerando os aspectos corporais, cognitivos, emocionais e sociais.
Segundo o criador do método, a profilaxia (utilização de meios para prevenir enfermidades) pode ser feita com crianças de poucos meses até 80 anos de idade - geralmente em grupos da mesma faixa etária. Em uma sala fechada, o psicomotricista aplica jogos livres, com a utilização de objetos como bolas, tecidos, isopor e tubos de papelão.
O objetivo é estimular a expressão espontânea dos participantes, sem julgamento e sem palavras. O psicomotricista participa dos jogos e procura traduzir os gestos, expressões e posições como manifestações do inconsciente. Se quisermos reencontrar as bases sobre as quais se construiu a personalidade, as carências afetivas e os conflitos que puderam perturbá-la, é necessário recriar as condições desta comunicação primária, diz Lapierre.
No Brasil, a psicomotricidade relacional começou a ser divulgada há oito anos, com a criação do Centro Internacional de Análise Relacional - hoje com três sedes no Paraná (Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu). Segundo o presidente da entidade, José Leopoldo Vieira, o método resgata as relações afetivas entre pais e filhos e também pode ser aplicado em deficientes mentais, visuais e auditivos. Como trabalhamos com a expressão não verbal, a possibilidade de comunicação é bem maior, observa.


