Lapa retoma no fim de semana tradição abandonada há 17 anos
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Lorena Aubrift Klenk, 
de Curitiba
Um grupo de moradores da cidade da Lapa, a 65 quilômetros de Curitiba, se prepara para resgatar, no próximo final de semana, uma tradição abandonada há 17 anos: a apresentação da Congada, uma representação folclórica originária do tempo da escravidão e que não sobrevive em nenhuma outra localidade paranaense. A apresentação vai acontecer às 14 horas de domingo, durante a festa dos 228 anos da Lapa, que coincide com a do padroeiro, Santo Antônio.
A volta da Congada é uma tentativa da prefeitura da Lapa de retomar uma tradição que durante muito tempo atraiu turistas para a cidade. Cheia de referências a São Benedito - o santo preto, cultuado pelos escravos -, a dança era realizada anualmente no dia 26 de dezembro, durante a festa do santo que, embora não seja o padroeiro da cidade, é o mais querido pelos moradores.
Com o tempo, as apresentações foram ficando mais espaçadas, até serem suspensas. O pessoal foi perdendo a motivação e faltou apoio, diz a diretora do Departamento de Cultura da prefeitura da Lapa, Vera Cassou.
Agora, a prefeitura conseguiu reunir um grupo de cerca de 40 pessoas dispostas a reativar a tradição. Entre elas, o mesmo rei congo de 17 anos atrás, Miguel Ferreira, que ainda guardava os papéis com o texto da Congada e algumas roupas usadas na representação. Além de resgatar uma manifestação cultural, queríamos levar os negros a valorizar a própria raça e suas raízes, diz Vera.
Ela conta que, fiéis à tradição e às suas crenças, os negros da comunidade sempre se apresentaram gratuitamente nas festas do santo de sua devoção. Mas já sugeriram que, em outras ocasiões, será importante garantir uma gratificação para que a festa não morra outra vez. Estamos tentando patrocínios, afirma Vera.
Para a apresentação de domingo, a prefeitura comprou panos e integrantes da comunidade costuraram as roupas que faltaram. É com vestimentas muito coloridas que os negros representam a Congada - um enfrentamento entre o grupo do Rei do Congo, com sua corte de fidalgos, e a Embaixada da Rainha Ginga, com parte de seu exército e fidalguia. No final, acontece a derrota da embaixada e o perdão do embaixador pelo Rei Congo.
Além da apresentação da Congada, a programação inclui uma homenagem ao ex-governador Ney Braga, que nasceu na Lapa e vai estar na cidade sexta-feira, lançando seu livro de memórias. Também será inaugurada uma galeria em homenagem aos cinco lapeanos que já ocuparam ministérios da República.


