Curitiba Não podia faltar em Curitiba um lugarzinho para os nordestinos matarem a saudade da culinária típica e das festas de preferência regadas a cerveja, pinga e forró. Ele fica na Vila Osternack, em Bairro Novo, e se chama Lanchonete e Bar Moraes. O estabelecimento pertence a Dona Lêda, piauiense e cozinheira de mão cheia. Todas segundas-feiras, ela prepara quitutes de ''sustança'' como buchada, carneiro assado, cozido, galinha caipira, mocotó e baião-de-dois. Suficiente para para encher de gente até do lado de fora do bar.
A fama do lugar foi feita boca-a-boca e atrai conterrâneos de bairros que, acredita-se, concentram maior parte de nordestinos.''Vem gente do Boqueirão, Bairro Novo, Colombo, Vila Hauer, Sítio Cercado e até da Água Verde. Todo mundo vem para comer e dançar até o amanhecer. Toca de tudo, desde o forró até o brega e música sertaneja. É uma folia só'', conta dona Lêda, que veio para Curitiba há 12 anos, junto com os três filhos.
De acordo com ela, metade de sua clientela é nordestina, formada principalmente de cearenses e paraibanos, a exemplo do Ceará e de Dami Gonçalves, respectivamente. Este último vendia até pouco tempo produtos regionais como rapadura, feijão-de-corda e queijo coalho vindos da Paraíba. ''Nordestino anda muito. Antes de vir pra cá, morei em São Paulo e já estou aqui há seis anos. Gosto de Curitiba porque acho uma cidade tranquila'', diz o paraibano de 35 anos, que chama dona Lêda carinhosamente de ''mainha''.
Em Valença, terra natal de Dona Lêda, ficou uma vida de dificuldades, mas também boas lembranças. ''Sinto saudades dos banhos de açude, pegar manga no pé e de criar galinhas. Aqui tudo é muito longe. Não penso em sair daqui, gosto das amizades e de Curitiba. Se for embora, volto para minha cidade para viver a velhice no sossego'', disse suspirando a piauiense. (F.G.)

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