O tempo quente e seco tem motivado o turismo de Porto Rico (95 km a noroeste de Paranavaí), município famoso pelas paisagens que contornam o rio Paraná. As marinas estão mais lotadas do que nunca e os donos de restaurantes e pousadas nunca trabalharam tanto nos fins de semana e feriados.
Para o proprietário de lanchonete Luiz Carlos Coronado, que mudou-se de São Paulo para Porto Rico há 23 anos, com a construção dos condomínios fechados às margens do rio, o movimento melhorou. ''De feriado e fim de semana a prainha lota, os barcos têm que sair de dez em dez minutos para levar o pessoal para ilha'', diz o empresário.
Segundo ele, com a construção de uma barragem entre os municípios de Primavera e Rosana, na divisa com o interior de São Paulo, há dez anos, tem faltado peixe no rio Paraná. ''A baixa do rio afeta mais os pescadores, que agora estão trabalhando como serventes de pedreiro'', informa Coronado.
Ele costumava abastecer a lanchonete com peixes frescos do Paranazão, mas hoje o carro-chefe são as tilápias que ele compra de tanques da região. ''Quando os pescadores conseguem pegar eles trazem pintado, dourado, barbado, mas tem pouco.''
Para Coronado, 1998 foi o melhor ano para os negócios. ''Tinha peixe e a lavoura era mais rentável. Cheguei a receber 20 cheques de proprietários rurais num fim de semana.''
Se a pescaria diminuiu, o turismo de lazer passou a movimentar a economia do município de pouco menos de 2,5 mil habitantes que ganhou seis novos condomínios de alto luxo nos dois últimos anos. Para o diretor da Marina Porto Rico, Alaor Chab, que trabalha na cidade há apenas oito anos, a baixa do rio favorece a visita dos turistas, pois facilita a navegação.
''Nos fins de semana eles abrem a comporta e enchem o rio para o povo que usa a prainha, mas no domingo à tarde, a água volta a baixar. Se não percebe, a lancha fica parada no seco'', comenta Chab.
Com capacidade para abrigar cem embarcações, a marina está sendo ampliada. ''De fim de semana e feriado é comum ver 80 lanchas na praia, fora os jet skis na água.'' Conforme Chab, 80% dos turistas são de Maringá e o restante de Cianorte. ''A cidade tem quatro marinas que guardam de 40 a 60 barcos cada.''
O produtor rural Sandro Pereira de Farias aproveitou uma folga no trabalho para se divertir com a família à beira do rio Paraná. Ele e a esposa Shirley viajaram de Santa Cruz do Monte Castelo (103 km a oeste de Paranavaí), que fica a apenas 20 minutos de Porto Rico, para nadar com a pequena Sthefany nas águas limpas do Paranazão.
''Como temos criança pequena, preferimos vir durante a semana que é mais tranquilo. De fim de semana o povo aproveita e tem até salva-vidas da Prefeitura para cuidar dos nadadores'', declara Shirley. O marido dela conta que já viu o rio mais cheio. ''Depois que fizeram a barragem, o nível da água é controlado. A chuva não influencia tanto'', comenta o agricultor.
Conforme o meteorologista Fernando Mendonça Mendes, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), há previsão de chuva para os próximos cinco dias no Oeste, Sudoeste, Centro-Oeste, Sudeste, Centro-Sul e em parte do Noroeste do Estado. ''As precipitações devem ser localizadas e podem ocorrem chuvas fortes, já que haverá aumento de umidade e o clima ficará abafado'', explica.
Para o Norte paranaense, as chuvas devem acontecer no início da próxima semana. Segundo o meteorologista, as temperaturas médias no período da tarde em todo o Paraná devem superar os 30 graus Celsius, ''podendo chegar a 35 graus Celsius no Norte e Noroeste'', prevê Mendes.

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