Cerca de 70 milhões de lâmpadas são descartadas anualmente no Brasil. Este dado é da Apliquim Tecnologia Ambiental, empresa de descontaminação de resíduos e produtos sediada em Paulínea, interior de São Paulo. Levando em consideração que uma lâmpada fluorescente - que contém mercúrio - é capaz de contaminar 20 mil litros de água, surge uma preocupação urgente para todos nós: o que fazer com as lâmpadas fluorescentes usadas?
''Aqui em Londrina ainda não temos uma orientação clara. Alguns clientes dizem que temos que dar o destino correto, mas não fomos orientados a isso. Então eu guardo enquanto busco uma solução que não prejudique o ambiente e nem o orçamento da minha empresa'', afirma o gernete de uma empresa de materiais elétricos, Carlos Roberto Menegazo. Leandro Peres, gerente de outra loja do ramo, pensa diferente: ''Não pegamos nada dos clientes, porque não temos como assumir essa responsabilidade''.
A confusão dos comerciantes tem sentido. De acordo com o presidente do Conselho Municpal de Meio Ambiente, Fernando de Barros, o descarte deste material ainda não está regulamentado em Londrina. ''Teremos uma reunião com a promotora do Meio Ambiente (Solange Vicentin) para discutir isso. Por enquanto, as leis ambientais seguem uma linha poluidor/pagador, ou seja, se uma empresa consome, tem que dar o destino adequado''.
Para o cidadão esse raciocínio pode ser complicado, pois não há um lugar para descarte no município. Entre os empresários, a alternativa encontrada tem sido o encaminhamento do material para uma empresa especializada no descarte e reciclagem de material contaminante. ''Nós temos um acúmulo de cerca de três mil lâmpadas por ano. Armazenamos e uma empresa de Santa Catarina (SC) busca e dá a destinação'', explica a gerente de Segurança e Meio Ambiente da Milenia Agro Ciências, Ângela Helena Pessato.
Empresa do ramo de agroquímica, a Milenia gera 300 toneladas de lixo reciclável por ano, sendo que duas toneladas são de lâmpadas. ''É uma porcentagem baixa, mas que precisa de destino correto. Por cada lâmpada descartada pagamos R$ 0,45 para a unidade da Milenia de Taquari (RS) e R$ 0,75 para a de Londrina, em função da distância com a empresa catarinense que faz o descarte. Um custo que consideramos baixo, visto a importância para a natureza''.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL) a solução encontrada foi a mesma. ''Foi contratada uma empresa para recolher todo o lixo químico, inclusive as lâmpadas, porque esse mercúrio delas não pode entrar em contato com a natureza'', destaca o prefeito do campus, Walter Germanovix. Ele explica ainda que um abrigo foi contruído para armazenar as lâmpadas até que a empresa especializada venha buscá-las. ''E temos professores do Departamento de Química desenvolvendo projetos relacionados ao descarte destes materiais, o que queremos incentivar para termos alternativas próprias de destinação''.
Leia mais sobre pesquisa da UEL que usa tecnologia para descontaminação e reciclagem de lâmpadas fluorescentes nesta edição do Casa & Conforto.

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