As chuvas deste final de semana causaram muitos transtornos para os moradores da periferia de Londrina. Um dos bairros mais atingidos foi o conjunto habitacional Farid Libos, na zona norte da cidade. Algumas ruas ficaram completamente alagadas, e o barro chegou a invadir várias casas.
‘‘Já perdi um guarda-roupa e um armário. Se não fosse a ajuda dos vizinhos, teria perdido tudo’’, conta, indignado, Luis Carlos da Silva, cuja esposa está grávida e teve que ser levada às pressas para o hospital depois que o barro deslizou para o seu quintal e entrou na casa. ‘‘Ela quase perdeu o filho, e terá que ficar dez dias de repouso’’, diz.
De acordo com Odair Rodrigues, morador da rua Douglas Antônio Jozelino - uma das travessas mais atingidas -, a situação ficou crítica depois que o cascalho foi retirado da rua principal, a Newton Leopoldo Câmara. ‘‘O prefeito Cheida veio com a proposta de asfaltar. Passou a máquina, aplainou o terreno, mas a obra ficou parada. Depois de alguns dias, ninguém mais veio trabalhar’’.
Com as chuvas constantes, o barro desliza para as ruas mais baixas. ‘‘Antes não alagava porque as pedras não deixavam a água correr. Agora, junto com a água vem a terra, que se acumula no meio-fio e entra nos quintais. A tendência, se continuar chovendo, é abrir crateras no meio da rua, deixando os canos de esgotos à vista’’, diz Odair. A situação, segundo ele, só não é pior porque alguns moradores se reuniram dias atrás e cavaram uma valeta para estancar a água. ‘‘Se não fosse isso, mais casas teriam sido invadidas pelo barro’’, observa.
De acordo com o presidente da Associação dos moradores do Farid Libos, Juvenil Jacob, a falta de asfalto tem prejudicado também a vida escolar do bairro. ‘‘Temos uma escola com capacidade para 350 alunos, que está pronta desde o dia 13 desse mês, mas não podemos usá-la. A prefeitura disse que não libera o local por causa da sujeira. Enquanto não tivermos asfalto, não teremos escola’’, relata.
As chuvas ainda complicaram a vida dos moradores da rua Café Cereja, no Parque Residencial do Café, zona norte de Londrina. Sem asfalto e com terreno em desnível, a rua ficou completamente tomada pelo barro. ‘‘Os dois lados opostos são mais altos, e a água fica parada no meio, não tem para onde ir. Antes ela ficava ali parada por uma semana. Agora que o ônibus começou a passar pela rua, ele movimenta a água e faz secar mais rápido’’, diz o morador José Antônio Pereira. Segundo ele, se chover a semana inteira o barro vai começar a entrar nas casas. A Folha tentou contactar o prefeito mas não o localizou.
As chuvas fortes que caíram na tarde de ontem na zona rural da cidade também causaram estragos. Um raio atingiu três árvores, destruindo-as totalmente, numa região com muitas grevilhas, próxima ao distrito da Warta. De acordo com Ricardo Aires Ferreira, que estava perto do local e ouviu um grande estrondo, a queda das árvores aconteceu entre 17 horas e 17h30.

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