Proprietários rurais da região cortada pela Estrada Boiadeira, entre Cruzeiro do Oeste e Tuneiras do Oeste, no Noroeste do Estado, cobram a conservação da estrada que está ficando intransitável. O leito da rodovia está todo esburacado. Em alguns pontos, surgiram nascentes d’água que formam um lamaçal permanente. Mesmo em dias de sol, alguns carros ficam atolados na lama e precisam ser guinchados por tratores. Nas laterais da estrada, a enxurrada abriu grandes erosões que bloqueiam o acesso aos sítios e fazendas. Os próprios agricultores têm consertado os trechos mais críticos, para poder entrar e sair das propriedades e continuar transitando pela estrada.
Nenhum órgão assume a manutenção da Boiadeira, cujas obras de pavimentação começaram em 1986, mas não avançam por falta de repasse de verbas. Em 12 anos, foram asfaltados apenas 25 quilômetros em Campo Mourão. No total, são 75 quilômetros de Campo Mourão a Cruzeiro do Oeste. Reiniciadas em setembro do ano passado, as obras foram suspensas de novo em março. A estrada vai até Icaraíma, na divisa com Mato Grosso do Sul, onde está sendo construída uma ponte com quase 13 quilômetros de pilares e aterros sobre o Rio Paraná. Futuramente, a Boiadeira seria asfaltada até Icaraíma para criar um novo corredor de exportação com a região Centro-Oeste.
Vânia MoreiraPor contaAgricultor Lúcio Paisana: ‘‘Nós é que temos feito alguns reparos’’Dono de 15 alqueires a aproximadamente quatro quilômetros de Cruzeiro do Oeste, Flávio Ferrazeri, 21 anos, conta que já pediu à prefeitura, aos departamentos Estadual e Nacional de Estradas de Rodagem (DER e DNER) e às empreiteiras responsáveis pela pavimentação para consertar a estrada, mas ninguém toma providência. ‘‘Não sabemos mais a quem recorrer’’, desabafa. Outro agricultor da região, Lúcio Paisana, 33 anos, diz que a estrada está completamente abandonada há mais de um ano. ‘‘Nós é que temos feito alguns reparos com o trator’’.
Segundo os agricultores, os problemas de erosão na Boiadeira pioraram depois que o DER fez a terraplenagem e nivelamento para asfaltar a rodovia há 10 anos. O asfalto não saiu e todas as obras de terraplenagem, canaletas e tubulações foram perdidas. Além do prejuízo estimado em US$ 4 milhões, as obras inacabadas causaram mais problemas de erosão. Os lamaçais, por exemplo, surgiram por causa de nascentes que haviam sido canalizadas para pavimentação. A tubulação quebrou e agora a água corre no meio da estrada.
O agricultor Valdir Catani, 63 anos, que mora na Boiadeira a cerca de 10 quilômetros de Tuneiras do Oeste, diz que, naquele trecho, os agricultores tiveram de fazer um desvio pelo mato ‘‘porque não dava mais para cruzar o barreiro da estrada’’.
As prefeituras alegam que a responsabilidade pela conservação da Boiadeira é do Estado ou da União, porque os municípios já têm as estradas vicinais para manter. No distrito do DER em Cruzeiro do Oeste, o engenheiro Sérgio Luiz Ferrari informa que o convênio que transferia para o Estado a responsabilidade pela conservação da estrada federal terminou em 97. ‘‘A responsabilidade agora é do DNER’’, afirmou. O DNER em Campo Mourão informou que as empreiteiras que estão construindo o asfalto é que são obrigadas a manter a estrada em condições de tráfego.
São três empreiteiras: Carpisa, Triunfo e Momento, cada uma responsável por um trecho da estrada. Funcionários de uma das empreiteiras que não querem se identificar confirmam que a responsabilidade é das empresas, mas não fazem a manutenção porque o DNER não repassa verbas. Desde que recomeçaram as obras em setembro, as empreiteiras não receberam nada e por isso paralisaram novamente o trabalho. O prefeito de Tuneiras do Oeste, Luiz Antônio Krauss, diz que tem tentado manter a estrada em condições de tráfego dentro do município, mas não pode fazer muita coisa por falta de maquinário e dinheiro.

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