O asfalto que liga o bairro à BR-369, passando pelo Jardim Santa Luzia, é a maior reivindicação dos moradores do Jardim Novo Amparo, localizado na zona leste. Quando chove, a lama costuma descer e ‘imundar’ as ruas; e quando faz sol, a poeira invade as casas e não tem roupa que seque limpa no varal.
‘‘Tem muito pó. Aqui, nas ruas do bairro ainda tem asfalto e é tranquilo. Mas a estradinha também precisava ser asfaltada’’, diz o morador Laércio Couto, 38 anos.
Casado e pai de quatro filhos, Laércio está desempregado e ganha a vida revendendo frutas que compra no Ceasa. Nos dias de folga, aproveita a bicicleta e a caixa de feira para passear pelo bairro com a filha, Ana Caroline, de um ano e dois meses de idade. Ele reclama que o problema da poeira fica ainda pior porque a prefeitura raramente faz a limpeza das ruas. ‘‘Aqui cada um tem que varrer as ruas, senão não tem jeito.’’
Outro problema, apontado por Durcelino Rodrigues, 46 anos e três filhos, é o uso de drogas. ‘‘Aqui no bairro ainda tem bocada (ponto de venda de tóxicos). É uma preocupação para os pais. Meu filho caçula mesmo só quer saber de malandragem. Sai cedo de casa e volta à meia-noite, uma hora da manhã. Não estou gostando nada disso’’, lamenta o pai. Durcelino aproveita a bicicleta para vender algodão doce com apito e bexiga, além de ‘‘borbulhinha’’ - apito que faz bolhas de sabão.
Tirando a sujeira, as drogas e o abandono, os moradores garantem que não tem muito do que reclamar do Novo Amparo. Eles afirmam que o local é tranquilo e dificilmente ouvem notícias de casos de assaltos. Tanto que, é só dar uma rápida passagem pelas ruas do bairro para se perceber a cena comum: há varais de roupa instalados nas calçadas, do lado de fora das casas. ‘‘Não tem problema não, ninguém leva nada’’, garante Laércio. ‘‘E a gente não tem dinheiro. Então, para sair daqui só se ganhar na Mega Sena.’’
Durcelino completa: ‘‘Aqui, no começo, a boca era meio quente. Saia briga direto, principalmente por causa da pinga. Mas agora acalmou.’’

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