Lagos no Córrego Cabrinha agradam moradores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de agosto de 2003
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
''Será que sai?'' Se depender da vontade da prefeitura, a dúvida do vendedor Antonio Silvatti, 42 anos, morador do Conjunto Violin (zona norte de Londrina) será desfeita até o final deste ano. Residente no bairro há mais de 15 anos, ele disse que já cansou de ouvir a promessa de que o vale em frente à sua residência iria ser transformado numa área de lazer para a população da região. Ontem, o município anunciou que a construção de dois lagos no Córrego Cabrinha está na fase de licenciamento ambiental.
Há pouco mais de 20 dias, segundo o engenheiro do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Otávio Táccola Neto, a prefeitura conseguiu a licença prévia junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para construir dois lagos. A construção será num terreno ao lado da Avenida Curitiba, acima da rotatória da Rodovia Carlos João Strass, área conhecida como ''sete encruzilhadas''. Serão dois espelhos d'água que aproveitarão o curso do Córrego Cabrinha: o lago 1 terá 3,5 mil metros e o lago 2 será duas vezes maior, chegando a 7,2 mil metros. Das duas barragens necessárias, uma já existe e será reaproveitada. A previsão é que a obra tenha custo inicial de R$ 600 mil e os recursos já constam no orçamento deste ano.
O espaço contará com pista de caminhada de 2,4 mil metros, duas praças com equipamentos para exercício físico, sanitários e iluminação. ''As praças serão semelhantes às instaladas no Lago Igapó 2 (zona sul)'', comentou Táccola Neto. Ele explicou que o próximo passo para o início efetivo das obras é obter a licença prévia de instalação junto ao IAP. Para isso, o órgão ambiental do Paraná exige a elaboração de um plano de controle ambiental, que está sendo preparado pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema).
No espaço que será transformado em área de lazer existem hoje dezenas de mangueiras e, embora tenha um bonito visual, é fonte de problemas para a vizinhança. De acordo com Silvatti, depois que as árvores foram plantadas o local passou a ser frequentado por marginais e usuários de drogas. ''À noite ninguém passa por ali'', afirmou o vendedor. Segundo ele, grupos de consumidores de drogas costumam fazer churrasco embaixo das árvores. Num barracão abandonado, a polícia descobriu há alguns meses um desmanche de motos roubadas e furtadas. O vendedor lembrou ainda que muita gente usa o espaço como depósito de lixo, de entulhos e para desovar animais mortos.
Outros moradores reclamaram da carência de áreas de lazer na região, que é uma das mais populosas de Londrina. Uma moradora que preferiu não se identificar gostou da notícia justamente porque poderá fazer caminhadas. ''Tenho uma amiga que vai até o lago Igapó para fazer exercício'', contou. Outra preocupação, principalmente das mães, após a conclusão da obra é o risco para os filhos pequenos. ''Vamos ter que colocar na cabeça da criançada que não é para nadar no lago'', afirmou outra moradora, que também não se identificou.


