Osmani Costa
De Londrina
Os fortes ventos de ontem provocaram pequenas marolas nas águas do Lago Igapó 1 - entre a Avenida Higienópolis e a barragem (na área central) -, e poeira na pista de cooper e ciclovia da margem esquerda. Mesmo assim, e apesar do frio intenso, diversos frequentadores usaram o local para suas práticas desportivas diárias. ‘‘Com qualquer tempo, é sempre bom andar aqui; poder sair do apartamento e ter este contato direto com a natureza do Igapó’’, comenta o aposentado Luiz Adalberto Mazeo.
O Igapó 1 - com as mansões na margem direita, no bairro Bela Suíça - é, na opinião da maioria dos ambientalistas e paisagistas, o principal ‘cartão postal’ da cidade. O lago artificial foi construído no final da década de 50, pelo então prefeito Antonio Fernandes Sobrinho, com o represamento das águas do Ribeirão Cambé e seus afluentes.
O complexo do Igapó - que na língua tupi significa transvazamento de rios - inclui outros três lagos menores. O Igapó 2 fica entre as avenidas Higienópolis e Faria Lima; e inclui o polêmico aterro de entulhos (leia texto abaixo). O lago 3 vai da Faria Lima até a ponte da Avenida Castelo Branco; que é onde começa o Igapó 4. A situação do Igapó 1 é bastante boa, no que se refere às condições de uso pela população. Já os outros três não contam, sequer, com calçada para que as pessoas andem com segurança ao seu redor.
Biológos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) são unânimes em ressaltar a importância da recuperação e manutenção desta parte do fundo de vale (FV) do Ribeirão Cambé para a presevação da fauna e flora, que é bem diversificada, mas frágil. Pesquisa realizada pelos biólogos Elisiário Strike Soares e Daniela Carneiro encontrou 75 espécimes de aves na área, entre as quais destacam-se as garças, mergulhões, quero-queros, saracuras e o martim-pescador.
Entre os peixes, os mais comuns nos lagos são as tilápias, acarás, lambaris, tambius, tuviras, bagrinhos, cascudos e pirambebas. O biólogo e professor da UEL Oscar Akio Shibata, doutor em ecologia e classificação de peixes, explica que não há dados recentes sobre a possível extinção de espécies em consequência da poluição da água - por esgoto industrial ou domiciliar clandestino - nos últimos anos.
‘‘Pesco sempre aqui, como forma de higiene mental, e consigo pegar uns peixinhos. Aqui é muito tranquilo, dá para passar boas horas e fazer terapia de graça. Desta vez, estou tentando pegar umas piranhinhas para criar em aquário’’, conta o dono de gráfica Robson Thomás de Aquino, que mora na zona leste da cidade e costuma pescar no Igapó 4.
Nas águas dos lagos, além de peixes e aves muitos adolescentes nadam nos dias de calor; apesar de análises laboratoriais comprovarem a poluição e desaprovarem o seu uso para o banho. No Igapó 1, treina a seleção brasileira de canoagem, que conquistou nos recentes Jogos Pan-Americanos do Canadá oito medalhas, sendo quatro de prata e quatro de bronze.
É também no lago 1 que encontra-se o que autoridades ambientalistas consideram o maior problema: casas construídas muito próximas da água, dentro da faixa de 30 metros tidos por legislação federal como área de preservação ambiental permanente. Desde junho, encontra-se aberto pela promotora de Defesa do Meio Ambiente Maria Lúcia Reichenbach, inquérito civil para apurar possíveis irregularidades em 70 imóveis construídos à margem do Igapó.
Levantamento feito por técnicos da prefeitura e da UEL, a pedido da promotora, aponta que entre 80% e 90% das casas na margem do lago 1 têm algum tipo de obra dentro da área de preservação. Uma audiência coletiva com os proprietários dos imóveis será realizada no dia 27, no Fórum. Nela, a promotora fai propor um termo de ajustamento de conduta. ‘‘Pensamos em estabelecer a cobrança de uma indenização pelos danos ambientais causados. Os recursos arrecadados serviriam para o Fundo Municipal do Meio Ambiente investir em projetos de recuperação ambiental em outros fundos de vales da cidade’’, adianta Maria Lúcia Reichenbach.Complexo do Igapó, que na língua tupi significa transvazamento de rios, reúne 4 lagos. O primeiro foi construído na década de 50
Mário CesarLAGO IGAPÓ 1O Igapó 1 é o maior dos quatro lagos que formam o complexo Igapó. Foi construído nos anos 50, na gestão do prefeito Antonio Fernandes SobrinhoJosoé de CarvalhoBiólogo e professor da UEL Oscar Akio Shibata, doutor em ecologia e classificação de peixesMário CesarRobson de Aquino: ‘‘Pesco sempre aqui, como forma de higiene mental’’

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