VILA ALTA - Apesar da devastação a que foi submetida nos últimos anos, o que provocou a derrubada de pelo menos 80% de sua mata nativa, a Ilha Grande ainda mantém algumas áreas praticamente intocáveis.
É o caso da Lagoa Azul, batizada assim por causa da transparência de suas águas. É possível até ver os vastos cardumes em movimento. Pegadas de onça por toda parte são um aviso de que poucas pessoas já passaram pela lagoa.
Pela primeira vez, uma equipe de reportagem registrou imagens da Lagoa Azul, considerada a mais bela da Ilha Grande, a segunda maior ilha fluvial do País. Para chegar ao local é preciso ir vencendo o cansaço por etapas, ter ânimo e coragem. São cerca de 20 quilômetros de barco, pelo rio Paraná, no município de Vila Alta (70 quilômetros a noroeste de Umuarama), e mais 3 mil metros de mata e de pântano.
A aventura demora pelo menos três horas e meia. Mas vale o esforço. É um cenário de encher os olhos.
A água azul e transparente se move em marés leves num formato oval, com cerca de 10 quilômetros. Basta jogar um mosquito ou qualquer outro inseto na água para os peixes aparecerem, e em grande número.
São espécies nobres como pacu, pintado e dourado, e outras mais comuns, entre elas traíra e curimba. As aves aquáticas desafiam jacarés e capivaras ariscos à chegada de pessoas e fazem suas presas.
Onça A Lagoa Azul é comparada ao Pantanal do Mato Grosso pela grande variedade de peixes, aves (gaviões caranguejeiros, biguás e várias espécies de patos) e até de onça. Elas não devem ser muitas. Talvez duas, mas vivem próximas da lagoa.
Pegadas pelo chão, vegetação amassada e a carcaça de um animal qualquer indicam que uma delas passou por ali há poucas horas e fez a primeira refeição do dia.
Ninguém fica assustado. Na verdade todos parecem meio hipnotizados. O cansaço é facilmente deixado de lado devido a tanta beleza.
Ninguém ousa falar. Ver a paisagem é mais interessante. A equipe é grande e inclui cinco policiais militares que há um mês estão trabalhando nas proximidades da ilha para evitar a volta do gado às áreas onde árvores centenárias foram derrubadas para darem lugar às pastagens.
‘‘Vendo um lugar como esse, nos sentimos mais motivados a continuar nosso trabalho’’, disse o tenente William Diemes Pinheiro, quebrando o silêncio.
Pescadores A pesca na Lagoa Azul é totalmente proibida. Constantemente há vigília da polícia nos caminhos que levam ao local para evitar a ação de pescadores.
Um dos policiais que fazem questão de fazer a ‘‘guarda’’ da lagoa é o sargento Nilson. Ele mora na região há 15 anos e visita o local com bastante frequência.
O sargento toma água da lagoa e oferece aos companheiros. ‘‘Não tem problema, pois é uma água totalmente limpa’’, afirmou.
Acesso difícil A noite está próxima. São pelo menos três horas de caminho para o continente, em Porto Figueira. O belo cenário fica para trás.
Fica a beleza de que tudo vai permanecer como está, pois a dificuldade de acesso é uma grande barreira que muitas pessoas preferem não ultrapassar.
Bom para os pássaros e animais que, pelo menos em volta da lagoa, se sentem protegidos dia e noite.
‘‘E diante de ameaças a polícia vai agir’’, avisa o prefeito de Vila Alta, que também acompanha a viagem, Marcos de Paula Farias (PDT).(Leonardo Revesso)

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