Londrina – As águas do Lago Norte têm um volume de coliformes fecais cinco vezes maior que o máximo tolerado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A poluição é provocada pelo descarte de esgoto clandestino e foi comprovada através de laudos técnicos emitidos pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). As amostras da água dos lagos Norte e Igapó 1, 2 e 4 foram colhidas pelo ecoesportista Dan Robson no dia 25 de fevereiro, a convite da Companhia Nacional de Saneamento (Conasa).
No Lago Norte, as coletas foram feitas em dois pontos que apontaram 4,6 mil e 5,2 mil unidades de colônias de bactérias presentes no intestino de humanos e outros animais de sangue quente. De acordo com a resolução 357/2005 do Conama, os lagos estão incluídos na classe 2 e o máximo tolerado é de até mil unidades de bactérias. "Por estar em uma região densamente povoada, os esgotos não tratados são os principais responsáveis por esta situação. Isso causa outras consequências como a diminuição do oxigênio da água e o aumento do volume de nitrato, presente nas fezes e na urina", relatou a bióloga da USCS e coordenadora do projeto Índice de Poluentes Hídricos, Marta Marcondes.



As duas amostras apontaram a presença de 2,1 e 3,1 partes por milhão (ppm) de oxigênio na água do Lago Norte, enquanto que o recomendável é que este número não seja inferior a 5 ppm. "A situação do Lago Norte é ruim e muito pior que a do Igapó, que pode ser considerada regular", ressaltou a estudiosa. Os níveis de coliformes fecais no Igapó não ultrapassaram 500 unidades e a quantidade de oxigênio foi superior a 6 ppm.
As análises microbiológicas e ambientais avaliaram ainda o PH, que indica a acidez da água, a transparência, o volume de fósforo, resultante do despejo de detergente e outros produtos químicos, além da quantidade de materiais sólidos dissolvidos. Os resultados laboratoriais reforçaram que os dois lagos são impróprios para o banho.
O biólogo e presidente da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), Marcelo Arasaki, entende que uma maior contaminação do Lago Norte em relação ao Igapó é justamente porque o espaço da zona norte está mais na periferia da cidade, onde a fiscalização é mais difícil. "O que se vê hoje nos nossos lagos é o reflexo da má gestão e gerenciamento dos nossos corpos hídricos. Mais do que a beleza desses lugares é preciso se preocupar com a qualidade da água. E quanto mais tempo passar e mais poluição tiver, mais caro para o bolso do contribuinte vai ficar a conta para a recuperação destas áreas", frisou.
Para Marta Marcondes, os lagos londrinenses ainda não estão nos níveis de poluição de outros locais em grandes cidades brasileiras e é possível reverter o quadro. "Porém, estes dados estão dando um alerta e é preciso que o poder público identifique de onde estão vindo os despejos irregulares para que a poluição acabe".
A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) informou que como não tinha informações detalhadas sobre os laudos técnicos não poderia se pronunciar.

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