Lago Igapó volta a ficar cheio em julho
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quinta-feira, 27 de junho de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
Norma Bueno, 77 anos, não esconde a revolta por ter sido privada há mais de um ano da paisagem inspiradora do Lago Igapó 2 cheio. É uma visão desagradável, você abrir a porta e se deparar com este buraco, reclama Norma. São cerca de 240 mil metros quadrados de lama e mato que a partir da segunda quinzena de julho serão novamente inundados pelas águas do Ribeirão Cambezinho, conforme adiantou o Secretário Municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas. Moradores próximos ao lago, como a dona Norma, estão intrigados com a possibilidade de a degradação do Igapó, desnudada em maio do ano passado com seu esvaziamento, volte a ser escondida por 360 milhões de litros de água.
Se a lama e o mato já chamam a atenção para a situação do Igapó 2 hoje, logo após o seu esvaziamento o cenário era assustador, lembram os moradores da Rua Bento Munhoz da Rocha. O mau cheiro dos peixes mortos invadia a casa. Nunca imaginei que o lago guardasse tanta sugeira, lembra a estudante Liria Bentlin, 14. O esvaziamento, para reparos na ponte da Avenida Higienópolis, trouxe à tona o drama silencioso enfrentado pelo Igapó.
Segundo dona Norma até hoje são vistos com frequência caminhões deixando o local carregados com galhos de arvores, mato, além do lixo despejado pela rede pluvial. Ainda é possível observar nas margens do lago resquícios dessa sujeira através dos montes de entulhos retirados do local. São calçados, latas, tábuas de madeira e até uma cadeira plástica. Nunca vi tanto relaxamento, eram pneus, garrafas plásticas, latas e muito entulho, observou o servente de pedreiro Francisco Machado Sobrinho, 43, que trabalha nas obras da barragem e do vertedouro.
Sobrinho promete depois que o lago estiver cheio trazer a esposa e os três filhos para contemplar o local, programa que reconhece, nunca fez em 30 anos de residência em Londrina. A inundação do Igapó, segundo o secretário Aloysio Crescenti de Freitas, ocorrerá a partir da segunda quinzena de julho, logo após a conclusão da segunda etapa das obras de reforma em curso e deverá levar duas semanas.
As expectativas de moradores, usuários do Igapó e ambientalistas é quanto ao início dos trabalhos de desassoreamento dos lagos. Um processo que consistirá em uma dragagem permanente, adianta Freitas. A previsão do desassoreamento é para o início do próximo ano, mas antes disso a administração municipal pretende levantar os custos do trabalho para então serem apresentados à Sanepar, considerada uma das principais responsáveis pelo assoreamento do complexo.
A prefeitura aguarda ainda um posicionamento da Sanepar quanto a parceria na terceira etapa das obras de reforma do Igapó, que consiste na construção e iluminação de uma pista de caminhada. A Secretaria Municipal de Obras propôs à Sanepar uma contrapatida de R$ 80 mil e em troca faria a ligação entre emissário coletor de esgotos vindo da Gleba Palhano e a rede já existente. A Assesoria de Imprensa da Senapar em Londrina informou que aguarda um posicionamento da matriz em Curitiba sobre a proposta da prefeitura.


