‘‘Antevi a paisagem com olhos de poeta. Não avancei, não me atrevi a fitá-la com olhos de sociólogo. Pensei apenas no encanto daqueles que amam a beleza, daqueles que buscam inspiração num pôr de sol, numa noite de lua cheia, numa manhã brilhante de luz. Não pensei no povo (...) que aqui se iguala e se confunde e que, desconhecendo discriminações de raça e de fortuna, para aqui convergiu certo de que este logradouro, feito com dinheiro de todos, é patrimônio comum.’
As palavras acima são do poeta Francisco Pereira de Almeida Júnior, autor da letra do Hino a Londrina, durante a inauguração da represa do lago Igapó, no dia 10 de dezembro de 1959 - ano em que a cidade comemorava o Jubileu de Prata. A idéia de construir um lago artificial em Londrina, no entanto, surgiu dois anos antes, também na gestão do prefeito Antonio Fernandes Sobrinho (de 1955 a 1959), como solução para drenagem do Ribeirão Cambezinho. A drenagem era dificultada pela barragem natural de pedra que atingia diversas propriedades rurais da região.
Segundo documentos da época, a idéia inicial era dinamitar a barragem natural. Mas logo prevaleceu a sugestão do lago, trabalho que acabou sendo entregue aos engenheiros Almicar Neves Ribas e José Augusto de Queiróz. Naquele tempo, o local onde está hoje instalada a barragem era praticamente desabitado, mas aos poucos a paisagem em torno do lago foi se modificando, com novos loteamentos. Mas a área nunca passou por processo de revitalização.
Na gestão do prefeito Dalton Paranaguá, no final da década de 60 e começo da de 70, foi elaborado projeto de revitalização e transformação do lago em área de lazer. Foi quando nasceu o Zerão. Nesta época, também foi construída uma nova barragem sob a ponte da Avenida Higienópolis, formando então o Igapó 2 - depois, vieram os lagos 3 e 4.
Em 1985, com a idéia de urbanizar parte da área do Igapó 2 - e também eliminar focos de mosquitos, problema que a população reclamava há anos - a prefeitura resolveu, sob protestos de diversos setores da comunidade, aterrar parte do lago. Cerca de 50 mil caminhões de entulho foram colocados no local e o grande lago acabou virando um pequeno filete de água, como se encontra até hoje. O projeto de urbanização nunca saiu do papel e o aterro permaneceu praticamente da mesma forma até hoje. (L.H.)

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