Maigue Gueths
De Curitiba
Ângelo Segala, de 88 anos, e sua filha Angelina Zonta, de 62, estão apreensivos com a mudança do clima em Curitiba. Eles têm medo que volte a chover forte na região, e se formem novamente as enormes nuvens de espuma no lago que fica bem ao lado da casa deles, no bairro Umbará. No início de junho eles foram surpreendidos por esta paisagem. Após uma chuva abundante, a poluição do lago se transformou em nuvens de espuma, que chegaram a cobrir a casa de um dos filhos, que mora no mesmo terreno.
A poluição do lago não é um problema novo por ali. Há pouco mais de dois anos o Lago Azul deixou de ser transparente e eles vêem os peixes diminuírem. Também faz quase dois anos que fiscais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente colocaram placas proibindo banhos no lago. Na época da espuma, os fiscais estiveram novamente no local e constataram a poluição, causada por esgoto doméstico, resíduos domiciliares, além de sabão e detergente. Na ocasião o lava-car Umbará chegou a ser interditado.
A secretaria não tem projetos para o local, mas está estudando a possibilidade de instalar uma rede de coleta de esgotos, de modo a evitar que as casas de uma invasão à beira do rio, no bairro Umbará, continuem a jogar seus detritos de esgoto dentro do rio. O projeto, entretanto, ainda está no papel. ‘‘Há dois anos que ninguém mais aqui de casa toma banho no lago e que não comemos os peixes dali porque dá medo de pegar alguma doença’’, conta dona Angelina.
Seo Ângelo, a filha, dois netos e os bisnetos moram em três casas dentro de um terreno de oito alqueires, sendo quatro de água, na estrada do Ganchinho, na divisa entre os bairros do Umbará e Ganchinho. Ângelo conta que o lugar já foi programa de final de semana para muita gente de Curitiba. ‘‘No tempo da crusch (antiga marca de refrigerante) o pessoal vinha aqui tomava banho, pescava, fazia churrasco. Era uma maravilha’’, diz dona Angelina, lembrando uma época de quase trinta anos atrás.
Ela mora ali desde que nasceu. Seo Ângelo, criado no bairro Água Verde, mudou-se para lá há quase 70 anos, depois que casou. Ele conta que junto com mais três tios foi quem construiu o lago, ‘‘trancando as águas do Rio Ponta Grossa’’. O local, segundo ele, já foi usado pelo Exército para fazer manobras militares e o lago foi usado por muitos evangélicos para fazer batismos.
Desde junho do ano passado existe um projeto da vereadora Julieta Reis de transformar o local num parque municipal.

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