Lagartas preocupam moradores
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sexta-feira, 19 de março de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Focos de lagartas em terrenos na Vila Casoni, Área Central de Londrina, estão preocupando os moradores. Segundo o vendedor ambulante Edgar Moreira, de 49 anos, a Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU) roçou o local há uma semana e a Vigilância Sanitária aplicou o veneno, mas as lagartas ainda aparecem constantemente nas casas próximas aos lotes.
A situação é considerada tão crítica pelos moradores, que Moreira procurou a Promotoria da Defesa do Meio Ambiente para registrar denúncia. ''A minha irmã já se queimou e foi até parar no hospital'', disse o vendedor, que todos os dias de manhã sai com um pote para recolher as lagartas que estão na garagem. ''Eu só gostaria que viessem tirar este entulho e este mato daqui, depois a gente mesmo conserva'', pediu. As lagartas encontradas no local são pretas.
De acordo com a avaliação do biólogo do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mário Osni, a lagarta pode causar queimaduras, mas não representa risco de vida. ''Se lavar bem com água e sabão é suficiente, mas a reação varia em cada pessoa. Se ela for alérgica talvez tenha que tomar algum medicamento'', explicou. Só no mês de fevereiro deste ano, o Hospital Universitário (HU) registrou 86 casos de queimaduras provocadas por estes animais.
Outro professor do departamento de biologia da UEL, Reinaldo José de Castro, lembrou que nesse período é normal a aparição de lagartas, principalmente, em ambientes quentes e úmidos. ''Nessa época elas se alimentam vorazmente para se prepar para o inverno.'' O biólogo conta que as lagartas podem destruir hortas inteiras. ''A tendência agora é diminuir daqui para frente'', avaliou.
Os dois biólogos alertam que uma espécie pode ser perigosa para a saúde, a lonomia. Ela pode provocar hemorragia e até levar à morte quando entra em contato com a pele humana. Segundo Osni, essa lagarta vive em grupos, é marrom com manchas brancas e cerdas amareladas. ''Se queimado por alguma delas o ideal é levar o animal para o hospital junto. Se for uma lonomia poderá ajudar no tratamento'', recomendou.
O coordenador de limpeza pública da CMTU, Délcio Garcia Martin, garantiu que os funcionários da companhia voltariam ao local para baixar mais a altura do mato. O gerente da Vigilância Sanitária, Marcelo Viana de Castro, disse que, como o produto aplicado não resolveu a situação, ele aconselha os moradores a procurarem a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) para que possa ser estudada a melhor forma de controlar este foco.


