A empresária Michele Schibelsky levou um susto na madrugada de ontem. Ela dormia em casa quando foi acordada, por volta das 2 horas, pelo alarme da empresa que faz a segurança da loja de roupas infantis na Avenida Madre Leônia Milito, no Jardim Bela Suíça (Zona Sul), da qual é dona há oito meses. Um carro invadiu o estabelecimento, de onde foram roubados cerca de R$ 100 mil em mercadorias. Moradores da região reclamam da falta de segurança e pedem providências.
  Conforme Michele, os bandidos, ainda não identificados, usaram o veículo para entortar a grade e quebrar a porta de vidro temperado e, assim, ter acesso à loja. ‘‘Foi a primeira vez que sofri um assalto desde que inaugurei a loja, em março. Mas o vizinho já foi assaltado há um ano e outros comerciantes da rua também foram roubados da mesma forma, com um carro invadindo a loja’’, comentou.
  ‘‘Tenho seguro, mas não cobre quase nada do prejuízo’’, lamentou Michele, reclamando da falta de segurança no bairro. ‘‘Vou manter a loja aberta, se entrar cliente agora eu atendo’’, declarou a proprietária, enquanto limpava os cacos de vidro espalhados na calçada. Por pouco os ladrões não levaram tudo. ‘‘Vou ter que colocar uma grade provisória até a porta de vidro ficar pronta.’’
  Conforme o empresário Cláudio Luiz dos Santos, dono de um lava-rápido na Rua Paramaribo, no último domingo moradores do bairro se reuniram com representantes da Polícia Militar para discutir a questão da segurança. ‘‘Eles nos passaram dados alarmantes e a comunidade resolveu apelar para a contratação de seguranças particulares’’, contou.
  Segundo Santos, a situação é crítica na própria Rua Paramaribo, onde um prédio abandonado é usado por jovens para o consumo de drogas e onde uma residência foi assaltada duas vezes numa mesma semana. ‘‘É um local convidativo à marginalidade’’, descreveu o empresário, sugerindo que o prédio seja lacrado e o policiamento intensificado nas ruas. ‘‘Moro aqui há apenas seis meses e por poucas vezes vi viaturas circularem pelo bairro’’, declarou Santos.
  O presidente da Associação dos Moradores do Alto do Igapó (AMAE), José Luiz Massaro, salientou que desde que a Polícia Militar instalou o posto da 1ªCompanhia na região, há cerca de dois anos, as ocorrências haviam diminuído significadamente, porém, de alguns meses pra cá, os crimes têm voltado a aparecer. ‘‘Não temos visto mais viaturas circulando na região. De todos os bairros da associação, esse ponto aqui, possivelmente por conta desse mocó, tem sido o lugar mais problemático. Queremos cobrar das autoridades uma providência para garantir aos moradores a segurança necessária’’, enfatizou.
  A Folha não conseguiu localizar o comandante do 1º Comando da PM que atende a área, mas foi informada por meio do relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, que será intensificado o número de policiais naqueles bairros. ‘‘Apesar dos relatos dos moradores, o comando daquela área afirmou que não houve diminuição do número de policiais circulando na região. Mesmo assim, será intensificada a presença de equipes do Choque e outras viaturas para fazer ronda’’, garantiu.

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