Ladrões 'trabalharam' no feriado
Lúcio Horta
De Londrina
Os ladrões de Londrina não perdoaram nem o feriado do Dia da Padroeira, a Imaculada Conceição, para agir. Diversos assaltos e furtos foram registrados na cidade, nos dias 7 e 8 de dezembro, mostrando que a população não está livre da onda de violência. Teve até sequestro-relâmpago (ver texto abaixo) e comerciante atingido por arma de fogo. Neste período, também foram registrados nada menos que 38 furtos entre estabelecimentos comerciais, carteiras, residências até furtos de auto-rádio, veículos e motocicletas , sem contar aqueles que não foram comunicados à polícia.
Um dos casos mais graves ocorreu no Jardim Santa Rita 1 (zona oeste), na noite de terça para quarta-feira. Quatro pessoas foram rendidas por um homem armado e ficaram sob a mira de revólver durante mais de três horas. O assalto começou às 22h30, quando Bibiana Martins Pinhel, 21 anos, chegava em casa com o namorado Cleber Amorin num veículo Corsa (placas AFD-3908). Assim que encostou o carro, os dois foram rendidos por um homem armado.
No mesmo momento, Tatiana Pinhel, 19 anos, irmã de Bibiana, chegava à casa dela, junto com a mãe, Maria Celina Pinhel, em outro veículo (Kadett placa ACQ-8205). Eu vi que tinha um rapaz sentado no banco da frente e minha irmã atrás, chorando. Minha mãe saiu do carro e chegou a perguntar o que estava acontecendo. Mas eles saíram correndo e eu fui atrás, contou ontem à Folha.
A perseguição, segundo ela, durou mais de 30 minutos. Ele ia correndo, furando o sinal, e a gente atrás. Passou meia-hora e ele entrou num bairro próximo da Exposição (Parque Ney Braga). Parou e eu parei do lado. Aí ele (ladrão) mandou que passasse todo mundo para o meu carro. Tentei convencê-lo, dizendo que ele poderia levar o carro, o relógio, mas ele disse que queria fugir e que eu teria que levá-lo.
Tatiana contou que todos foram para o Kadett e rodaram durante muito tempo, em vários bairros de Londrina. Pararam próximo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), num bairro chamado Jardim Columbia. Encostaram numa rua escura, próxima de um lixão. Lá, todo mundo desceu e o ladrão queria continuar a fuga apenas com a Tatiana. Foi quando percebemos que ele não sabia dirigir, observou.
Tatiana que, enquanto dirigia o carro, ficou todo o tempo com o revólver encostado na cintura diz que ainda tentou ensinar o ladrão a sair com o automóvel, dirigindo, mas ele não conseguiu. Então o cunhado dela, Cleber, acabou seguindo com o rapaz até a PR-445. Lá, deixou o carro engatado, no sentido Londrina/Ibiporã, e entregou o volante para o ladrão, que finalmente partiu sozinho. Um pouco a frente, no entanto, o rapaz acabou capotando o carro e fugiu pela mata.
Ficamos das 10h30 à 1h30 da madrugada de quarta-feira com ele. Para minha mãe e minha irmã foi um desespero. Mas eu tentava tranquilizá-lo, até porque tinha que dirigir, diz. Ela acrescenta que não teve outra alternativa senão seguir o ladrão. Tinha que saber para onde estava levando a minha irmã, justifica. O ladrão, segundo ela, aparentava ter entre 18 e 21 anos, 1,65 metro de altura, pele clara, cabelo liso e vestia uma camiseta preta. Parecia estar muito bem vestido, observa. Estranho que parecia que ele estava esperando a gente, debaixo da árvore. A impressão é que ele sabia que a gente ia chegar àquela hora.





