Ladrões se disfarçam de clientes
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Luciano Augusto<b>Reportagem Local 
Entre os mototaxistas, são raros aqueles não sofreram assaltos ou não conhecem uma vítima dos ladrões de motos. O táxi sobre duas rodas é ainda mais perigoso, porque não há distância segura quando o cliente está na garupa. O jeito é torcer para o cliente não se transformar em assaltante durante o percurso.
Na profissão há sete anos, Francisco Assis da Silva, 50 anos, considera-se um sobrevivente. Desde que começou a trabalhar como mototaxista, já passou por quatro situações em que marginais disfarçados de clientes lhe deram voz de assalto. ''Hoje, a gente não sabe mais quem está na garupa: se é honesto ou ladrão'', lamenta. Para se prevenir, ele chega a recusar corridas noturnas para bairros periféricos. Outro expediente usado pelo mototaxista é instalar em suas motos ''segredos'' que interrompem a corrente elétrica e fazem a moto desligar imediatamente. Mas até isso, os ladrões já conhecem.
Seu primeiro susto aconteceu numa tarde de outubro de 2001, quando ele e um colega aceitaram fazer uma corrida até o trevo do município vizinho de Tamarana. ''Quando chegamos lá, eles mandaram parar e já falaram que era um assalto. No trevo, tinham mais dois rapazes armados esperando pela gente.'' Ele ainda devia 18 prestações para quitar do consórcio da moto, uma Honda CG 125.
Silva sofreu sua última tentativa de assalto há cerca de seis meses, durante a madrugada. Ele foi abordado por um ''cliente'' na Avenida Tiradentes. Ao passarem pelo centro de Londrina, o rapaz ''bem vestido'' encostou um objeto pontiagudo em suas costas e anunciou o que seria um assalto. Sem pensar nos riscos, o mototaxista conta que como estava próximo à 10 Subdivisão Policial apertou o acelerador e parou quase dentro do prédio. No plantão, o cliente suspeito justificou-se dizendo que era uma brincadeira e foi liberado.
O colega de profissão aceitou conversar com Folha mas se identificando apenas como Reinaldo, 36 anos. ''Trabalho à noite'', argumentou ele, que também já sofreu pelo menos um assalto e três tentativas. Ele diz que no primeiro roubo que sofreu, há cerca de um ano e meio, sua moto foi levada para Rosário do Ivaí (145 km ao sul de Apucarana). Reinaldo afirma ficou sabendo que sua moto estava naquele município por causa de uma reportagem veiculada pela Folha, que informava sobre apreensão de motocicletas.


