Ladrões roubam motoristas na aduana
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quinta-feira, 09 de janeiro de 1997
Montezuma Cruz Sucursal de Foz do Iguaçu 
Elza AndréaVítimaOrlando Porta, de Cascavel, transporta mercadorias há 16 anos: caminhão depredado por ladrões
FOZ DO IGUAÇU - Motoristas brasileiros vêm sendo assaltados em plena luz do dia enquanto aguardam a liberação de suas cargas importadas da Argentina. A quadrilha que se aproveita da aglomeração de veículos na aduana da Ponte Tancredo Neves (Brasil-Argentina) rouba, principalmente, alho, frutas e outros produtos.
A lentidão do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para importação, no Rio de Janeiro, aumentou para dois quilômetros a fila de caminhões entre a aduana e a Ruta 13 (Rodovia Internacional Puerto Iguazú-Buenos Aires), em território argentino.
O roubo de cargas também ocorre em território argentino, enquanto os caminhoneiros se ausentam para tomar café, almoçar ou beber água. No pátio brasileiro, a Delegacia da Receita Federal não assume a responsabilidade pelas cargas estacionadas.
Os motoristas não registraram queixas na Polícia. Não vale a pena, lamentou José Elias Ferreira, 46 anos, de Maringá. Ele está há 16 dias na estrada, levando de Mar del Plata para São Paulo (mais de 3,2 mil quilômetros) um carregamento de peixe congelado.
Desde o início da semana, os caminhoneiros estão aguardando o completo funcionamento do Siscomex. Ontem, cerca de 500 caminhões estavam na fila, entre a aduana brasileira e Puerto Iguazú, e outros 300, na BR-277, ainda esperavam autorização da Estação Aduaneira de Fronteira.
Em vigor desde o dia 1º, o Siscomex substituiu as guias de papel, baixando de 300 para pouco mais de 100 os itens exigidos pelo trânsito aduaneiro e a importação, nos ministérios da Indústria e Comércio, Agricultura, Banco Central e Receita Federal.
Embora o programa do Siscomex-importação esteja no computador, os importadores enfrentam a lentidão e também não assimilam completamente o software da Receita Federal. Somente a Transportadora Falcão procurava liberar, ontem, cerca de 30 carregamentos.
A situação na aduana Brasil-Argentina, várias vezes denunciada por sindicatos e federações de caminhoneiros, transformou-se num caos. Nos últimos 3 dias, vários deles têm tomado banho de balde, na única torneira de água não tratada, disponível no local.
O motorista Adilson Babeto, 40 anos, levou a mulher para tomar banho e, ao voltar, encontrou quebrado o vidro da cabine do caminhão. Haviam levado o toca-fita.
Desperdício 15h30. Ironicamente, neste horário, zeladores consumiam água à vontade para a lavagem do piso superior do prédio aduaneiro. Um caminhoneiro levou o filho para banhar-se na parte baixa, aproveitando a água corrente. Foi severamente advertido pelo guarda.
Deoclécio Ribeiro da Silva, o Sabiá, 45 anos, casado, três filhos, foi assaltado duas vezes nos últimos seis meses. Uma dentro na Argentina, outra aqui na aduana, conta. Com 24 toneladas de algodão procedentes de Vila Ângela (Província de Corrientes), ele carregou dia 26 e já acumula prejuízos.
O sindicato estipula em R$ 1,10 a tonelada de carga parada. Um dia parado custa para o caminhoheiro, em média, R$ 150,00, e eu já tenho um gasto de quase R$ 8 mil entre diárias e gastos com o caminhão. Quem paga essa conta?, questiona.
Os motoristas queixam-se ainda do rigor da Receita em relação ao estacionamento. Eles vêm recebendo multas diárias de R$ 43,00, caso deixem o caminhão em posição considerada irregular. Vendedores ambulantes abastecem o local com água mineral, sucos e salgados.
Orlando Porta, de Cascavel, transporta mercadorias há 16 anos, seis dos quais entre o território argentino e o Brasil. Seu caminhão, o Scania Vabis placa AAM-2929, foi depredado por ladrões. Eles quebraram o vidro traseiro da cabine, levando o aparelho de rádio PX, no valor de R$ 600,00; caixas com alimentos; roupas de cama e uso pessoal; e o vidro da cabine. Tive que colocar papelão aqui, diz, apontando o caminhão. (Leia mais sobre o assunto na Folha Economia)


