Curitiba - A Fazenda Palmital, em Guaraqueçaba, Litoral do Estado, está sendo alvo de constantes roubos de palmito há cerca de um ano e meio. Calcula-se que já foram roubados mais de 1,2 milhão de pés de palmito da fazenda, que é uma das maiores produtoras do produto no País. O prejuízo dos proprietários passa dos R$ 2,4 milhões. A ousadia dos ladrões surpreende. Para intimidar os moradores que fazem segurança no local, eles incendiaram uma das casas na semana passada.
Nesse último ataque não houve feridos. ‘‘Mas no ano passado, além de incendiarem outra casa de madeira atiraram contra um dos funcionários, que foi atingido no peito, mas sobreviveu’’, conta o administrador da fazenda, Valdimir Singh. Ele trabalha há 30 anos para a empresa Assungui Agropastoril S.A., dona da fazenda.
Apesar da existência da Polícia Florestal no município, o efetivo é pequeno diante da ação dos bandidos. Segundo Singh, várias vezes as polícias Florestal e Civil foram acionadas para coibir os roubos. ‘‘Na delegacia não tinha dinheiro para colocar gasolina na viatura. Como o posto da Florestal é distante mais de 30 quilômetros da fazenda, quando os policiais chegam lá, os bandidos já fugiram’’, conta.
Singh denuncia que os responsáveis pelos roubos são quatro donos de fábricas de palmito. ‘‘Um tem fábrica em Guaraqueçaba e outro em Antonina, também no Litoral paranaense. Um terceiro trabalha em Santa Catarina e o último vende o produto em Curitiba’’, afirma.
Segundo o administrador, no final do ano passado, a Polícia Florestal foi avisada sobre um roubo. Prendeu em flagrante o mentor do crime, mas dois dias depois o liberou. Singh não quis revelar os nomes dos criminosos temendo represálias. ‘‘Estamos reféns da quadrilha, que envolve mais de 300 pessoas. Por isso, por mais que tenhamos fiscais circulando pela fazenda, não conseguimos controlar a extração do palmito’’, conta.
Singh diz que os ladrões entram na fazenda de madrugada e retiram o produto por meio de caminhões. Cada caminhão carrega em média 2 mil pés de palmito. ‘‘Eles oferecem uns R$ 300,00 para os peões da região, que fazem o serviço por necessidade financeira’’, relata. No entendimento do administrador, a solução para o problema depende da instalação de um posto da Polícia Florestal nas proximidades da fazenda, que possui 22 mil hectares.
O administrador também pretende agendar reunião com a Secretaria da Segurança para pedir proteção. Um dos motivos, segundo ele, é a preservação da fazenda, que possui a maior reserva de Mata Atlântica particular do País.

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