Pecuaristas da Zona Sul de Londrina têm se deparado com uma imagem desoladora quando acordam: pela manhã, ao verificar o gado em suas propriedades, encontram bois e vacas destroçados, cercados por moscas e urubus. A cena é resultado da ação dos ''ladrões de carne'', quadrilhas que invadem sítios, abatem bovinos e muitas vezes só levam parte dos animais.
As últimas vítimas - pelo menos até ontem - foram um boi da raça Nelore e, consequentemente, seu proprietário, o pecuarista e comerciante Vilson Mouro, 45 anos, que amargou prejuízo de R$ 1 mil. O animal de três anos e 500 quilos foi encurralado pelos ladrões na madrugada de anteontem, na fazenda Rancho Alegre, Colônia Coroados (Zona Sul). A família Mouro só descobriu o crime ao raiar do dia.
''Além de furto, é um vandalismo. Eles tiram só a carne nobre, traseiros e paletas, e deixam o resto do boi - pescoço, costela - tudo jogado'', ressente-se Vilson. Em menos de um ano, o pecuarista conta que já perdeu 16 cabeças de gado neste tipo de crime. ''Não tem patrulha rural, polícia militar que dê jeito. Já oferecemos combustível, até veículos para os policiais atuarem'', completa.
Segundo o pecuarista Gilmar Mouro, 42 anos, irmão de Vilson, são poucas as propriedades na Colônia Coroados, Usina Três Bocas e Patrimônio Selva, todos na Zona Sul, que ainda não sofreram furtos. Ele diz que pegadas deixadas na fazenda da família mostram que os ladrões utilizam cavalos. ''Eles cortam a cerca de arame para entrar e deixam brecha para os outros animais fugirem para a rodovia'', observa.
Uma suspeita dos pecuaristas é alarmante: eles acreditam que parte da carne esteja sendo revendida para açougues clandestinos. ''O boi que mataram ontem (anteontem) havia sido vacinado dias antes contra febre aftosa e medicado com vermífugos. Ainda não poderia ser consumido'', alerta Vilson.
O superintendente da 10Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Francisco de Assis, confirmou que a Polícia Civil tem registrado, em média, duas ocorrências do gênero por semana. ''Acreditamos que seja mais de uma quadrilha. Tem gente que mata para comer, fazer festa, e também profissionais que revendem a carne'', comentou. ''Estamos trabalhando em duas frentes: na identificação dos autores dos furtos e na investigação de açougues clandestinos, junto com a Secretaria de Saúde'', completou.
''A nossa bola de cristal são os olhos da comunidade. É ela que tem de nos fornecer subsídios para um trabalho mais ostensivo'', alega o sargento Souza, um dos responsáveis pela Patrulha Rural da Polícia Militar (PM), que tem sede em Cambé (13 km a oeste), mas atua em toda a Zona Rural de Londrina. Souza assumiu a Patrulha há poucos dias e diz que ainda não tem notícia da frequência de furtos e abate de gado. ''Não tenho conhecimento de casos recentes. As pessoas precisam nos comunicar'', afirma.

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