Acolhedoras e sempre prontas a trazer tranquilidade aos fiéis, as igrejas não estão tendo paz. O caso do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova (área central de Londrina) é um exemplo do que vem ocorrendo. O templo atrai gente de toda a região Norte, e mesmo de fora do Paraná. São muitos fiéis querendo agradecer as graças concedidas pela padroeira. E, por isso mesmo, está sempre de portas abertas. ''Não há como fechar'', ressalta o pároco, o padre Giovanni Tranquillo Lorenzin. Por isso, a casa fica sujeita à ação dos ladrões.
Nos últimos três meses, a situação piorou. O padre conta que, mesmo com vigilância vespertina e noturna, duas urnas de dízimo foram arrombadas. Uma delas, aliás, foi simplesmente levada da capela do local no primeiro dia de 2003. Foi substituída por outra, chumbada. Toalhas somem do altar. A insegurança, que toma conta de todos os moradores da região, também preocupa o padre Tranquillo. ''Estamos nos defendendo como podemos'', ressaltou.
Juntamente com a comunidade, o pároco foi até à Polícia Militar pedir a instalação de um módulo policial. Mas, com a proximidade da unidade já existente na Vila Portuguesa, a 1,5 quilômetro do santuário, a reivindicação não vingou.
Na Paróquia São Tiago Apóstolo, do Jardim Santiago (zona oeste), a missa do sábado e as três missas de domingo, além das ocasiões festivas, precisam do apoio de seguranças terceirizados. Os paroquianos que tentavam zelar pela segurança dos veículos estacionados próximos à igreja sofriam ameaças. ''A situação melhorou, mas o problema não foi de todo resolvido'', diz o empresário Valcir Aparecido dos Santos, membro da comissão econômica da paróquia. ''Ainda estão quebrando vidros para roubar o som, ou bolsas e objetos deixados em seu interior.''
Na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Casoni (zona leste), não há mais como dar chance aos ladrões: fora do horário de missas, a igreja fica trancada. A medida teve que ser tomada depois de fatos desagradáveis. Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida sumiu de um altar lateral há dois anos e teve que ser resgatada pelo vigário, o padre Valeriano Ruaro. O preço exigido pelo ladrão foi de cerca de R$ 500,00. ''Tive que ir até uma favela, no Jardim Leonor (zona oeste), para recuperar a imagem'', relembra.
O sacrário, local onde são guardadas as hóstias consagradas, também já foi encontrado aberto. A igreja precisou ser cercada para afastar também desabrigados que ocupavam dia e noite o espaço sob as marquises. A cadela Pérsia e outros dois pastores alemães ajudam a preservar a segurança noturna da igreja. Os fiéis que querem orar fora do horário das celebrações têm como opção a capelinha que fica junto ao escritório da paróquia. Mas nem durante a missa a calma sempre prevalece. Já teve correria para pegar ladrão durante uma celebração, quando uma mulher foi furtada.

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