Ladrões não perdoam nem carro velho
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Não importa se o modelo é importado e com aquele cheiro de carro novo ou se é um mais velhinho, com jeitão de relíquia da família. Os ladrões de carros em Londrina, segundo relato de vítimas, não fazem distinções nem rejeitam marcas. Por ordem da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a Polícia Civil não divulga estatísticas sobre esta modalidade de crime, embora garanta que os índices estão em queda. Com mais de 225 mil veículos, segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran-PR), Londrina tem a segunda maior frota do Paraná. Fica atrás apenas de Curitiba, onde circulam um milhão de unidades.
De acordo com o delegado-operacional da Divisão de Furtos e Roubos de Veículos da 10 Subdivisão Policial, Manoel Pelisson, os modelos mais antigos, normalmente, são desmanchados e usados para alimentar o mercado de peças usadas. ''São carros encomendados'', completou o delegado.
É o que pode ter acontecido com o Fusca ano 1982 furtado na madrugada de 6 de setembro, no Conjunto Semíramis (Zona Norte). O carro era ''parte da família'' da dona-de-casa Isabel Ayala Borges, 55 anos. ''Umas duas horas da manhã, o guarda da rua viu um rapaz empurrando o Fusca mas, como ele não conhece a gente direito, pensou que fosse alguém saindo de casa'', contou ela. Segundo dona Isabel, na mesma semana, foram levados do bairro pelo menos outros três carros usados.
O Fusca estava estacionado na calçada em frente a casa de dona Isabel quando foi levado. Desde então, a família tem feito buscas incessantes, mas sem sucesso. Até recompensa foi oferecida para quem tiver informações sobre o Fusca, avaliado em R$ 3,5 mil. ''Foi um desassossego, porque recebemos muito trote de gente mal intencionada'', lamentou dona Isabel, que nem dona do carro é mas se sente em dívida com o genro, o verdadeiro proprietário, porque tinha emprestado o carro dele. ''O Fusca era de estimação do meu genro, porque já estava com ele há uns cinco anos. Até minha filha estava aprendendo a dirigir nele. Nós estamos meio doentes até, de tanta chateação'', emocionou-se. O Fusca da família de Isabel é branco, tem as rodas originais e os pneus possuem faixas brancas pintadas nas laterais.
Nos 15 anos em que ficou com o Voayge verde metálico ano 84, o pintor autônomo Lúcio Ademar Gozzo conseguiu deixar o carro do jeito que sonhava. Fez motor, lataria, pintura, estofamento. Investiu para deixar o carro vistoso de novo. Só que ele desconhecia quão audaciosos podem ser os criminosos.
Na madrugada do dia 30 de março, enquanto a família dormia, ladrões arrombaram o portão de sua casa, no Jardim Interlagos (Zona Leste), arrancaram um vidro lateral do Voyage, saíram até a rua e sumiram com o carro, avaliado em torno de R$ 5 mil. ''Acho que ele estava mesmo encomendado'', especulou Gozzo, mostrando as chaves, o vidro deixado pelos criminosos e o documento, as únicas coisas que sobraram do veículo que, para ele, tinha um valor todo especial. ''Era meio de estimação, porque eu gosto muito de Voyage. Tanto que acabei comprando outro'', confessou. Desta vez porém, ele instalou um sistema de alarme à prova de furtos.


