Como dono de uma agência de viagens na Zona Oeste de Londrina, Alexandre Barbetta vende sonhos para seus clientes, mas ultimamente sua vida profissional só tem lhe rendido pesadelos. Isso porque sua loja fica em um quarteirão da Rua Fernando de Noronha - entre as ruas Rolândia e Cornélio Procópio - onde todos os seis pontos comerciais já foram vítimas de arrombamentos e furtos.
A agência de Barbetta foi furtada na madrugada da última quarta-feira. O dispositivo de alarme tocou as 3h23, e quando o vigilante chegou, às 3h30, os ladrões já haviam conseguido fugir levando três monitores LCD e uma CPU. Os invasores quebraram a vitrine de vidro e serraram dois cadeados da grade de proteção para entrar. O empresário acredita que os eletrônicos levados de sua loja ''já tinham sido encomendados por algum receptador''.
O furto significou um prejuízo de R$ 3 mil, um custo alto que ficou ainda maior por causa de um outro arrombamento que ele sofreu em janeiro que lhe custou mais R$ 5 mil. Barbetta teve que emprestar equipamentos para não precisar fechar sua loja até poder comprar novos monitores.
Outros dois pequenos empresários vizinhos de endereço também já foram furtados nos últimos meses. Na galeria de lojas em frente, a realidade não é diferente. Na noite de terça-feira, a vidraça da revenda de equipamentos médicos e odontólogicos de José Carlos Lemes da Silva também foi arrebentada por uma pedra.
Na ânsia de entrar, o ladrão se cortou e sujou toda a loja com sangue, inclusive a sirene do alarme que foi arrancada da parede. Foram furtados um aparelho de profilaxia Schuster, uma solda ponto VH para ortodontista e um fotopolimerisador, produtos que juntos custam cerca de R$ 5 mil. Ele espera que os dentistas que forem procurados para comprarem esses equipamentos entrem em contato com ele ou façam a denúncia à Polícia.
O ponto comercial ao lado, uma empresa de vistoria de automóveis para seguradoras, também já foi alvo de criminosos neste ano. Da mesma forma, a vidraça foi arrebentada e um computador completo foi furtado. Um outro comerciante, que trabalhava na mesma galeria com manutenção de equipamentos de informática, decidiu encerrar a atividade por causa dos diversos arrombamentos.
Os comerciantes foram unânimes em afirmar que o quarteirão é um alvo fácil porque os arrombadores aproveitam a falta de policiamento, a iluminação pública deficiente e o quase inexistente trânsito de veículos e pedestres. Agindo rápido, eles conseguem entrar, furtar e fugir sem serem pegos.
Sem falar sobre a situação específica destes comerciantes, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Luiz Carlos Menezes Deliberador, que tomou posse sexta-feira, admitiu que um dos principais problemas hoje na cidade são os crimes de furtos e roubos. Ele adiantou que pretende combater não somente o assaltante ou o autor do furto como também a figura do receptador das mercadorias levadas pelos criminosos.

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