O trabalho de roçagem de terrenos públicos em Londrina tem um novo inimigo: os ladrões de roçadeiras. Em pouco mais de um ano, cerca de 15 máquinas foram roubadas das mãos de funcionários da Visatec, empresa contratada pela prefeitura para o serviço. O prejuízo ultrapassa R$ 30 mil.
O caso mais recente ocorreu no sábado, no Jardim União da Vitória (Zona Sul), à luz do dia. Segundo a gerente de contratos da Visatec, Karina Jenani Alves, uma força-tarefa havia sido levada ao local para roçar vários pontos. Durante o intervalo do almoço, funcionários foram abordados por dois rapazes armados, que levaram três roçadeiras costais. O custo de cada máquina varia de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil.
''Pior do que o prejuízo material é o risco à vida dessas pessoas. O sub-encarregado do serviço contou que colocaram a arma no rosto dele. Os funcionários estão amedrontados'', afirmou Karina. Ela disse que tem evitado avisar seu pessoal com antecedência sobre o trabalho em certos bairros, considerados perigosos, porque ''senão ninguém aparece para trabalhar''.
Outra consequência é o atraso nos trabalhos. No União da Vitória 3, uma demanda urgente mostrada pela FOLHA - uma área de mato alto que atrapalha o percurso de crianças à escola - já poderia ter sido sanada, mas ficou pela metade. ''Cada vez que acontece um roubo, tem que parar o serviço. Essas pessoas que roubam não percebem que estamos fazendo o trabalho para o próprio bem deles'', salientou.
Ontem, segundo a gerente, uma pessoa ligou para a Visatec ameaçando atear fogo no caminhão da empresa, caso retorne ao União. ''Estamos entrando só com escolta policial em alguns locais. O problema é que os bandidos estão cada vez mais abusados. Recentemente, tivemos duas máquinas roubadas no Lago Cabrinha, em horário de movimento'', revelou. Em outra ocorrência na Zona Norte, oito roçadeiras foram levadas de uma vez.
O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, acrescentou que os ladrões costumam agir em bandos de dois ou três, à pé ou de motocicleta, e fogem com as máquinas nas costas. ''Isso nos força a pedir que uma viatura policial seja deslocada de outros trabalhos só para acompanhar a capina. É um absurdo'', asseverou.
A Visatec prestou queixa dos crimes na polícia, mas não conseguiu reaver nenhuma máquina. O relações-públicas do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente Ricardo Eguedis, afirmou que não é possível manter viaturas e homens para escolta permanente nos locais de roçagem. ''Quando solicitado, podemos monitorar o trabalho. Isso nós fazemos até com caminhões de entrega'', observou. O delegado de Furtos e Roubos da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jayme José de Souza Filho, disse desconhecer os casos. ''Tivemos notícia de roçadeiras roubadas no começo do ano passado, e parece que foram recuperadas'', comentou.

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