Ladrões invadem CMEI na zona sul de Londrina no fim de semana
Centro infantil já havia sido alvo de arrombamento recentemente; equipamentos levados eram utilizados em atividades pedagógicas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de abril de 2019
Centro infantil já havia sido alvo de arrombamento recentemente; equipamentos levados eram utilizados em atividades pedagógicas
Simoni Saris - Grupo Folha 

Mais uma instituição de ensino foi alvo de furto neste fim de semana em Londrina. O CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Pastor Francisco Seixas, no jardim União da Vitória (zona sul), foi invadido por ladrões, que levaram um computador completo, com CPU, monitor e mouse, além de alimentos. No fim de semana anterior, a unidade já havia sido furtada - foi levado um televisor de 40 polegadas. Os equipamentos eram utilizados em atividades pedagógicas desenvolvidas com as crianças.
“Em sete anos que eu estou aqui, desde que o CMEI foi municipalizado, isso nunca havia acontecido. Agora, foram dois fins de semana seguidos”, comentou o coordenador do CMEI, Edemilson Rodrigues da Silva. Os ladrões arrombaram a porta da sala dos professores, onde estava o computador, e também forçaram a porta do refeitório e, na sequência, a porta da despensa, onde ficam armazenados os alimentos. Eles furtaram seis litros de leite e 12 potes de achocolatado.
“No final de semana passado já haviam furtado o televisor que também estava na sala dos professores. Na sexta-feira (29) a porta havia sido consertada. Agora, de novo arrombaram a mesma porta e as portas do refeitório e da despensa, que já eram reforçadas”, disse o coordenador. Na manhã desta segunda-feira (1º), funcionários de uma empresa terceirizada pela prefeitura estavam no local fazendo os reparos necessários.
O CMEI atende 92 crianças de um a cinco anos de idade e, além da perda material, Silva lamenta o prejuízo pedagógico decorrente da ação dos criminosos. “As nossas experiências em sala de aula ficam prejudicadas sem os equipamentos. E muitos pais não trouxeram os filhos hoje porque ficaram sabendo do furto. Mas não suspendemos as atividades. A gente não entende por que eles (ladrões) fazem isso.”
Na semana passada, o coordenador registrou um Boletim de Ocorrência na polícia e nesta segunda-feira, entrou em contato com a Guarda Municipal, que registrou a ocorrência. Um novo boletim na polícia também deverá ser registrado.
“É difícil uma situação dessa. As crianças sempre precisam de mais material, mais recursos e, com os furtos, reduz ainda mais o material. Os pais já pagam uma taxa mensal para melhorar para eles mesmos e agora as pessoas vêm aqui roubar? É complicado”, disse a mãe de um aluno.
A instituição não possui alarme nem câmeras de vigilância. A Guarda Municipal prevê a instalação desses dispositivos, mas há uma licitação em andamento para a compra dos equipamentos. A reportagem entrou em contato com a corporação e com a Secretaria Municipal de Educação, mas não obteve resposta.
Em matéria publicada na FOLHA no último dia 18 de março, levantamento da secretaria municipal de Educação apontava que, em 2018, das 120 unidades da rede municipal de ensino, entre escolas e CMEIs, 58 foram invadidos. Neste ano, entre janeiro e a segunda quinzena de março, haviam sido registrados 15 invasões, uma média de uma ocorrência a cada cinco dias.
Cepas do Vista Bela volta a funcionar
Nesta segunda-feira, o Cepas (Centro de Esperança por Amor Social) do Residencial Vista Bela (zona norte) voltou a funcionar depois de ter a dispensa desfalcada por ladrões que invadiram o prédio da instituição no final de semana anterior. O centro, que atende 50 crianças no período do contraturno escolar, ficou fechado por uma semana. Foram furtados 30 quilos de carne, além de outros alimentos, utensílios domésticos, produtos de limpeza e os cabos de energia, inviabilizando a continuidade das atividades. “O Cepas nos mandou produtos de limpeza e alimentos e também arrecadamos doações em eventos e com a própria comunidade e pudemos reabrir as portas. Agora, estamos na luta para recuperar tudo”, disse a coordenadora Marta Maria Machado.
Para entrar no imóvel, os ladrões fizeram um buraco na cerca de alambrado e serraram a esquadria de uma das janelas. Por isso, a coordenadora também estuda formas de reforçar a segurança no local para evitar novos furtos. “A gente luta para melhorar a estrutura, as salas de atividades e acontece isso. As crianças vêm de um mundinho cinza, queremos dar um mundo colorido para elas, mas fica difícil”, comentou Machado.
As crianças assistidas moram no Vista Bela e jardins Maria Celina e Padovani. Para muitas delas, as duas refeições reforçadas que recebem no período em que permanecem no Cepas são tudo o que têm para comer no dia. Na manhã desta segunda-feira, poucas crianças foram ao centro. “Muitas ficaram em dúvida se iríamos reabrir hoje.”
“Ficar sem as atividades é ruim porque é o nosso projeto e faz muita falta. Quando eu soube que tinham roubado aqui, quase chorei”, contou Mirian Gabrielly do Nascimento Vieira, 11, que frequenta o projeto desde os seis anos. A irmã de Mirian, Bianca Suziany, 13, disse que junto com a mãe irá trabalhar para recuperar a horta, destruída pelos ladrões. “Acabaram com os canteiros. Já não tem as coisas direito e, em vez de eles virem aqui pedir, vêm e roubam”, disse a menina, indignada. “Parece que ninguém se importa com o projeto, não valoriza. A gente está aqui com medo. Fazem o que querem. O bairro não tem visão da importância dessas atividades”, comentou Sarah Caroline Delmiro de Lima, 11.



