Os centros de educação infantil filantrópicos já enfrentam problemas financeiros devido ao repasse insuficiente de recursos e têm de recorrer a doações. Além disso, alguns CEIs ainda têm de se preocupar com a segurança. O CEI Nossa Senhora do Carmo, localizado no Jardim Ouro Branco (Zona Sul de Londrina), que atende 96 crianças, foi alvo de furto pela quinta vez em um período de seis meses. No domingo, os ladrões estouraram a grade de ferro, os cadeados e a porta de ferro e levaram aparelhos de DVD e de som, além de vários ingredientes da merenda escolar, como arroz e leite.
''Há 15 dias nós tínhamos sido furtados e conseguimos recuperar parte do material com doações; agora levaram tudo de novo'', lamentou a diretora Cristina dos Santos. Ela calcula que o prejuízo dos cinco roubos alcançou cerca de R$ 3 mil, lembrando que a creche é filantrópica e a prefeitura arca com os salários dos funcionários e 50% da merenda. ''Distribuímos um bilhete para os pais para comparecerem a uma reunião para tentar dar uma solução nisso'', destacou, não descartando a possibilidade de fechar o cei se os problemas não forem resolvidos.
Quando ficaram sabendo do roubo, os pais logo se mobilizaram para garantir a comida das crianças. Tatiana dos Santos, mãe de Felipe Costa, de 4 anos, se comoveu com a situação e levou vários alimentos. '' Nós estamos doando salsicha, carne, cenoura, batata, macarrão, leite e pães para as crianças poderem comer'', relatou. Segundo ela, esse é o melhor CEI em que sei filho.
Luciléia Bonfim é avó de Luiz Gustavo, de 3 anos, e afirma que, infelizmente, no bairro, há muitos casos de furtos e roubos. ''É a droga que leva as pessoas a fazerem isso'', apontou, reivindicando mais policiamento na região.
A professora Lúcia Helena Garcia Schneider observou que o CEI já possui dificuldades porque os materiais pedagógicos são limitados. ''O pouco que existe é retirado da gente. A gente sempre tocava músicas para as crianças relaxarem, mas levaram os aparelhos de som'', reclamou, lembrando que existem outras 106 crianças na fila de espera para estudar no centro infantil.
O economista Sidinei Ribeiro Costa ficou sabendo do furto e resolveu doar um aparelho de DVD para que as crianças pudessem assistir desenhos. ''Tanta gente querendo fazer o bem e sempre tem umas pessoas querendo tirar o pouco que essas crianças têm'', afirmou. Ele pede que as pessoas contribuam não só nessas situações, mas durante o ano todo. ''O pessoal de nosso condomínio do qual sou síndico sempre está doando'', relatou.

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