Sábado à noite e, como de costume, Letícia (nome fictício) estava a caminho da casa dos pais, em Maringá, onde iria passar o fim de semana. No itinerário, realizado todo mês pela estudante, a Avenida Tiradentes. Mais precisamente o semáforo localizado em frente à Companhia de Café Solúvel Cacique, entre Londrina e Cambé. Mas o que começou como uma simples viagem de rotina, terminou em tragédia no final de semana passado.
Ao parar no sinal, Letícia percebeu uma movimentação estranha no carro de trás. O veículo estava sendo assaltado por uma dupla em uma motocicleta. Com medo, a estudante resolveu avançar o semáforo. Tarde demais. ''O bandido bateu no vidro do passageiro, com intenção de quebrá-lo, e como não conseguiu, atirou'', contou Letícia. A bala atingiu a perna direita da estudante, que no momento da tentativa de assalto só conseguiu engatar a marcha e acelerar o carro.
''Na hora não pensei em nada, só em fugir. Também não voltei para Londrina porque não quis passar pelo mesmo local. Segui dirigindo em direção a Cambé, mas como não conhecia nenhum hospital na cidade acabei parando no primeiro posto de gasolina que encontrei e pedi ajuda'', recordou a estudante.
Um funcionário do posto acionou o Siate e a polícia, mas Letícia não se lembra de ter assinado nenhum boletim de ocorrência. ''Só senti dor quando o Siate chegou. Fui levada ao hospital para retirar a bala e fiquei internada só um dia. Graças a Deus não terei sequelas.''
No mesmo horário em que Letícia foi abordada, pelo menos mais duas duplas de motociclistas repetiam assaltos a outros veículos que paravam no sinal vermelho da Avenida Tiradentes. Um motorista que resistiu ao roubo teve os vidros do carro quebrados. Outro condutor, que desceu do carro para dizer aos bandidos que não tinha bens, levou coronhadas na cabeça e teve o celular roubado.
As histórias exemplificam uma nova modalidade de assalto que começa a tomar forma em Londrina: o arrastão do farol. Mas segundo o tenente Ricardo Eguedis, porta-voz da Polícia Militar de Londrina, ''este tipo de crime não é normal naquele local''. ''Dias atrás houve um assalto semelhante, também na Avenida Tiradentes, mas a polícia conseguiu prender os envolvidos'', informou.
Conforme o tenente, a Polícia Civil já instaurou inquérito para identificar os criminosos, ''mas posso adiantar que quem faz este tipo de assalto normalmente mora nas imediações ou já foi visto por moradores do bairro''.
Eguedis citou alguns cuidados básicos para a população se prevenir de arrastões em semáforos, entre eles, diminuir a velocidade do veículo para chegar no farol quando este já estiver aberto. ''Também é bom não reagir e acionar rapidamente a polícia assim que deixar o local do crime.''
Para o tenente, avançar o sinal não é a solução. ''Estes semáforos da Avenida Tiradentes têm visualização longa e o motorista pode calcular a velocidade para poder passar por eles quando estiverem abertos. Além disso, avançar um sinal é contra a lei e pode causar acidentes.''
Permanecer calmo e não ter reações bruscas é importante em qualquer tipo de assalto. ''O ato de fuga gera frustração no criminoso, que normalmente age sob efeito de álcool ou substâncias químicas'', alertou Eguedis, ressaltando que se a vítima perceber que tem condições de escapar, ''deve fugir e pedir ajuda''. ''Vale ressaltar que se um motorista assistir outro carro ser assaltado, ele deve procurar escapar e acionar a polícia imediatamente'', concluiu o tenente.

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