Ladrões e prostitutas dominam rua
Assaltantes que frequentam as redondezas das ruas 13 de Maio, Presidente Faria e Riachuelo, na região central de Curitiba, têm uma espécie de pacto de convivência com moradores e comerciantes da região. Os ladrões estão poupando as pessoas que trabalham ou moram nas quadras vizinhas e selecionam as vítimas dos assaltos.
Um morador de um dos edifícios da Rua 13 de Maio, que prefere não ser identificado, disse que estava voltando sozinho para casa após o trabalho e foi assaltado quase em frente ao seu prédio. Dois dias depois, o mesmo assaltante devolveu a carteira roubada com todos os documentos e a mesma quantia de dinheiro. Achei muito estranho. O assaltante se desculpou, dizendo não saber que eu era morador da região, conta.
Na Livraria Guerreiro, um dos funcionários teve o relógio roubado há cerca de 15 dias. Na semana passada, os assaltantes descobriram que a vítima trabalhava no local. Como o relógio já tinha sido vendido, eles disseram que iriam comprar um outro, de valor equivalente, e devolver ao funcionário, conta o proprietário da livraria, o comerciante português Joaquim Carrachaz Guerreiro.
Segundo ele, o índice de violência e assaltos aumentou muito nos últimos três anos. Hoje, é comum ver pessoas, geralmente de mais idade, serem jogadas no chão e assaltadas. Além do roubo, há violência, observa.
Guerreiro lembra que as zonas de prostituição da região já existiam em 1978, quando ele abriu a livraria, mas que o problema de assaltos é mais recente. Hoje, já estamos pensando em transferir a loja se isso não for solucionado, afirma.
O proprietário de uma loja da região, que também prefere não se identificar, sugere policiamento ostensivo na área. Deveria haver pelo menos um policial em cada cruzamento, durante 24 horas por dia e interligados por rádios de comunicação. Isso é comum em cidades como Londres, Paris e Buenos Aires, observa. Ele acusa: Não há interesse das autoridades em modificar a situação e a polícia deve estar envolvida com as quadrilhas que agem na área.
Outras propostas do comerciante são o fechamento de todos os hotéis frequentados por prostitutas e a mudança de perfil desses estabelecimentos.
Em março, a Secretaria Municipal de Urbanismo embargou os hotéis Platina, próximo à Praça 19 de Dezembro, e Toronto, na Rua Riachuelo. Os dois estabelecimentos não cumpriam normas de higiene e utilizavam quartos para prostituição. O Toronto continua fechado, mas o proprietário do Platina conseguiu uma liminar na Justiça e o reabriu. (G.P.)





