As quadrilhas especializadas em roubar carros no Brasil e vendê-los no Paraguai estão mudando os alvos. Os ladrões estão deixando de roubar Gol e Uno - atuais campeões na preferência das quadrilhas - para atravessar a fronteira com carros importados que foram comprados por brasileiros em países da Europa, Ásia e Estados Unidos.
Segundo um levantamento das seguradoras brasileiras entregue à Polícia Nacional em Ciudad del Este - cidade da fronteira por onde passa o maior número de carros roubados -, os registros de carros importados roubados aumentaram 15% somente no primeiro semestre deste ano. Atualmente, um carro é roubado no Brasil a cada minuto e meio.
Comparando-se o aumento no número de roubos de carros importados este ano no Brasil com os 600 veículos de fabricação nacional roubados por dia, segundo estatítista do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), esse percentual pode parecer pequeno. No entanto, a polícia estima que o roubo de carros importados pode alcancar 3 mil veículos por mês.
De acordo com relatório enviado pelo Ministério da Justiça brasileiro à Polícia Nacional, em 1995 a cifra de carros importados roubados no País era praticamente insignificante, algo em torno de um veículo por dia. Atualmente, de acordo com o relatório do Denatran, são roubados dez carros importados todos os dias em cidades de grande porte como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
Para o ex-delegado de polícia de Foz do Iguaçu, Maurílio Alves, dono da Rinver - Recuperadora de Veículos Ltda (uma empresa que busca carros roubados no Paraguai para 30 seguradoras), cerca de 60% dos veículos roubados concentram-se nos modelos cuja frota de circulação nacional alcança apenas 73 mil unidades.
‘‘Ainda não dá para se saber o quanto já foi roubado e quantos carros importados foram recuperados’’, diz Alves. Porém, ele afirma que a preferência é por nove tipos de veículos: Nissan, Pathfinder, Mitsubishi Pagero, Chrysler Jeep Cherokee, Honda Civic, BMW e Mercedes-Benz, veículos que custam entre R$ 40 mil e R$ 70 mil a unidade. Entre os utilitários, o preferido é o Ásia Towner, com preço variando entre R$ 12 mil e R$ 13 mil.
No levantamento das seguradoras, os modelos preferidos das quadrilhas são os esportivos, depois automóveis de luxo e, em seguida, os utilitários. De acordo com o dono da empresa recuperadora de carros roubados, a preferência pelo importado é simples: ‘‘Existe mercado amplo para esse tipo de automóvel no Paraguai e o preço compensa’’.
Segundo ele, o melhor carro de fabricação brasileira pode ser vendido no Paraguai por até R$ 20 mil, enquanto que os importados não são oferecidos por menos de R$ 50 mil. ‘‘A diferença de preço no Paraguai chega a 30% do valor de mercado brasileiro’’, diz.
Para ilustrar, a polícia afirma que o roubo do utilitário importado Toyota Hilux - bastante usado por tinturarias, floriculturas e padarias - bateu o recorde do roubo da Kombi, veículo brasileiro fabricado pela Volkswagen e que até o ano passado era o principal alvo das quadrilhas.

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