Numa ação ousada e cinematográfica, a agência do Banco do Brasil, em Ivaiporã (130 km ao sul de Apucarana), foi assaltada na madrugada de ontem. Os ladrões cavaram um túnel para chegar ao cofre do banco e levar o dinheiro. O valor levado pela quadrilha ainda é um mistério. O gerente da agência, Antônio Anésio Bana, havia dito pela manhã que estimava-se ser algo em torno de R$ 43 mil, mas à tarde não quis confirmar o montante, alegando que dependia da contabilidade interna e ainda do movimento do fim de semana nos caixas eletrônicos.
Segundo a polícia o túnel cavado a partir de uma loja vizinha do banco, denominada Charm Cosméticos, tinha 1,5 metro de profundidade por oito metros de extensão, e aproximadamente 60 centímetros de diâmetro.
Na porta da loja, desde sexta-feira, estava fixada uma placa indicando ‘‘fechado por luto’’. Para a polícia os autores do arrombamento estavam trabalhando há vários dias na escavação e só finalizaram o furto no fim de semana.
‘‘Temos convicção de que foi um plano minuciosamente estudado e executado ao longo de três meses, por um falso comerciante que, por enquanto, identificamos como sendo Luis Carlos Leandro Sobrinho’’, revelou o superintendente e investigador Júlio Cézar Cunha.
Conforme apurou a polícia, o suposto comerciante comprou, no mês de janeiro, a loja de cosméticos de Luci Teixeira, pagando R$ 15 mil à vista e parcelando mais R$ 5 mil em seis meses. Até o arrombamento e seu desaparecimento, Luis Carlos manteve a loja funcionando normalmente, trabalhando com uma companheira, e pagou mais quatro parcelas de R$ 800 pela loja.
O delegado de Ivaiporã, Gabriel Junqueira Filho, aguarda para os próximos dias o recebimento da fotografia que consta nos registros do Instituto de Identificação do Paraná, para o nome de Luis Carlos Leandro Sobrinho. A partir da foto a polícia espera confirmar, com as pessoas que conviveram com o falso comerciante, se a identificação é mesmo verdadeira. No registro da Polícia Civil constam para este nome, em Curitiba, duas passagens por roubos e uma por estelionato.
Investigadores descobriram ainda que Leandro Sobrinho e sua companheira ficaram hospedados durante 90 dias no Hotel Shalon, tendo abandonando no local roupas sujas de terra. A polícia também soube que, nos fins de semana, Leandro recebia na cidade um rapaz, que dizia ser um sobrinho.
Num compartimento fechado nos fundos da loja, a polícia encontrou escondidos 16 sacos com terra, pá, picareta, cabo de extensão de energia, ventilador, maçarico, lanternas e até um sofisticado aparelho utilizado em engenharia para teste (corte) de concreto, além de vaselina, que os ladrões passaram no corpo para deslizar pelo túnel.
Peritos do Instituto de Criminalística de Londrina estiveram na tarde de ontem em Ivaiporã, examinando o local onde começou a ser escavado o túnel e também a parte interior do cofre da agência do BB. O chefe adjunto do instituto, Geraldo de Oliveira Filho, informou que os peritos colheram impressões digitais e levaram os equipamentos utilizados, para avaliar a procedência e o modus operandi da quadrilha.
Oliveira Filho anunciou que o laudo da perícia deve ser concluído em dez dias. O que deixou intrigados os peritos foi a precisão com que os ladrões conseguiram se dirigir ao cofre por via subterrânea.

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