Ladrões assaltam funcionário do Banestado e roubam cheques
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sexta-feira, 27 de junho de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Dois ladrões armados abordaram e dominaram ontem o encarregado de serviços da agência Banestado de Cambé, Marcio Antônio da Silva, 40 anos, roubando o malote de documentos do banco com talões de cheque de 64 clientes, além de outros documentos. O assalto aconteceu por volta das 8 horas, na rua Belo Horizonte, a poucos metros do estacionamento do banco. Silva conta que parou no cruzamento com a rua Inglaterra antes de atravessar, quando uma moto CB 400, placas ADN 0596, de Rolândia, emparelhou com o seu carro.
Silva estava em um Fiat Uno azul, placas HRA 0264 e, antes de ir para o trabalho, tinha passado na agência do Banco do Brasil para pegar o malote. Foi tudo muito rápido, o passageiro da moto desceu e, pela janela do carro, enfiou o revólver na minha cara. A CB foi roubada em Rolândia, no último dia 16. Os dois homens fugiram com o carro.
O encarregado explica que buscar e levar o malote até a agência do Banco do Brasil é uma rotina diária e ele aproveita para fazer o transporte no caminho de ida para o trabalho. Não esperava por isso. Foi uma experiência horrível e espero não precisar mais revivê-la, afirma. A distância entre a agência do Banco do Brasil e a do Banestado é de cerca de 250 metros. Ele diz que, de carro, o percurso demora poucos minutos. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Cambé.
O Sindicato dos Bancários de Londrina e Região quer processar o banco pelo descumprimento de Acordo Coletivo, que proíbe a utilização dos funcionários em serviços de transporte de malotes de qualquer tipo. O serviço tem que ser feito por uma empresa especializada ou carro-forte com vigilantes, observa o diretor sindical Geraldo Fausto dos Santos. O sindicalista explica que, apesar da ilegalidade, a maioria das agências adota essa prática.
O gerente administrativo da agência Banestado de Cambé, Alécio Francisco, informou que desconhece a lei que proíbe que funcionários façam transporte de malote. Fazemos isto há 30 anos. Quando não é o encarregado, sou eu mesmo que busco o malote. Francisco diz que o Banestado e outros bancos da cidade contrataram uma empresa que faz o transporte dos malotes de Londrina até a agência do Banco do Brasil em Cambé, mas não faz a distribuição para as agências.
Todos os cheques roubados foram cancelados e não têm validade legal. Mas o gerente teme que os ladrões consigam passá-los no comércio. Nosso cliente está seguro, mas os comerciantes não. Por isso estamos orientando para que ninguém aceite cheques do banco sem conferir primeiro a documentação do comprador e verificar se a pessoa é a dona do cheque.


