Em um cruzamento do Vale San Fernando (zona sul de Londrina), os assaltos são tantos que já estão sendo previamente agendados. Parece, mas não é gozação. Os ladrões estão anunciando os locais que serão assaltados. Dá para contar nas mãos os estabelecimentos comerciais que ainda não foram invadidos. Quem não tem como se defender, apela para a fé. Quem tem condições está adotando medidas que, se não podem evitar, pelo menos tentam inibir os roubos. E alguns, mais radicais, não escondem que estão se armando para proteger seu patrimônio.
O comerciante L.L., 39 anos, é quem garante que foi ''avisado'' para se prevenir da ação dos bandidos. No último dia 25, após seis tranquilos anos à frente de seu estabelecimento, L. foi informado por uma pessoa que, ao meio-dia, ia ser assaltado. Após a informação ter se espalhado, o bairro virou uma confusão. O informante, veria-se mais tarde, acertou ao antecipar um assalto. Equivocou-se, contudo, quanto ao local: pouco depois, às 15 horas, dois garotos entraram ao mesmo tempo em outros dois estabelecimentos.
O assalto duplo, ousado, aconteceu sem qualquer reação dos proprietários. Mas os assaltantes, menores, acabaram detidos mais tarde. Uma das vítimas, o comerciante F.R.F., 21 anos, diz que ainda não sabe o que fazer para aplacar a permanente falta de segurança. ''A gente não tem muito o que fazer para defender-se nessas horas'', lembrou. No dia do duplo assalto, o pânico tomou conta das redondezas. ''Com o clima que se instalou por aqui, pensamos terminar o expediente do dia, e fechar as portas mesmo'', contou a proprietária de um bazar.
Não que temesse o medo do desconhecido. O bazar, que funciona há cinco anos na região, foi assaltado pela primeira vez em dezembro passado. Na ocasião, a balconista foi rendida pelas costas. ''Não ouvi o menino, que estava de chinelos, se aproximar'', revelou. O dia foi atarefado, e de grande movimentação no estabelecimento, que recebe pagamento de contas, vende fotocópias, artigos de papelaria e presentes. A maior parte da tarde foi gasta com pedidos junto a um representante comercial.
Era ela quem estava atendendo quando o bazar foi assaltado a segunda vez, no último dia 23. Três garotos entraram com armas na cintura e ameaçaram até mesmo atirar em seu filho de 11 anos. ''Não tem muito o que fazer numa hora dessas, mas deu até para perceber que eram inexperientes'', comentou. Um cliente estacionou em frente, e os garotos, segundo a comerciante, acabaram sem saber como disfarçar o assalto. Simularam escolher alguns produtos para sair da loja.

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