A 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão registrou anteontem um caso pitoresco. Gilberto Aparecido Amaro, de 24 anos, foi preso em flagrante quarta-feira à noite tentando roubar uma bicicleta no Lar Paraná (oeste da cidade). O caso teria passado despercebido se Gilberto não tivesse avisado a polícia que iria arrumar uma ‘‘bronca’’ para ser preso e conferir como estava seu irmão, Aílton Amaro, preso há uma semana por assalto.
‘‘Em 26 anos de polícia nunca vi uma coisa dessas’’, contou o carcereiro Moacir Feitosa Viana. Segundo ele, até ontem à tarde, cerca de 16 horas depois de ser preso, Gilberto demonstrava estar gostando da prisão. ‘‘Ele está feliz da vida’’, disse o carcereiro. Desde que Aílton foi preso, Gilberto vinha passando diariamente na delegacia para levar comida ao irmão e receber notícias através de recados escritos, mas Aílton se recusava a escrever.
Segundo o carcereiro, Gilberto começou a desconfiar que o irmão estivesse sendo maltratado até anunciar, na quarta-feira na hora do almoço, que iria dar um jeito de ser preso. ‘‘Ele falou isso na frente de vários funcionários da delegacia, mas ninguém deu bola’’, contou Viana. A prisão de Gilberto também teve seu lado cômico. Ao tentar roubar uma bicicleta, o dono do veículo viu a ação e correu atrás dele. Os dois estavam em luta corporal quando a polícia apareceu.
‘‘Acho que ele gosta da cadeia’’, disse Viana. Essa não é a primeira vez que Gilberto vai preso. Ele já esteve na cadeia em 1992, por assalto, e chegou a ficar preso em Curitiba. O irmão dele, apesar de estar detido há apenas uma semana, era procurado pela polícia desde 1993, quando foi condenado a 5 anos e 4 meses de prisão, também por assalto. O carcereiro lembra que Gilberto não precisava ter sido preso para ver o irmão. ‘‘Era só vir à delegacia nos dias de visita’’.

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