Ladrão conta como furtou 120 carros
Mário CésarFlagranteMarcos Roberto Alves (à esq.), preso com Rogério Madeira e João Souza Neto: furtando carros desde os 12 anos de idadeEm menos de 30 segundos eu furto um carro. Posso até fazer o serviço em menos tempo dependendo da marca do veículo. A declaração é de Marcos Roberto Alves, 26 anos. Ele foi preso em Sertanópolis, acusado de fazer um assalto no conjunto Violin, zona norte de Londrina, no dia 2 deste mês. Com ele foram presos Rogério Natal Madeira e João Lopes de Souza Neto, também acusados de participar do roubo.
Em entrevista à Folha, Marcos não escondeu que durante toda a sua vida criminal, pelo que conseguia lembrar, já havia furtado por volta de 120 carros. Eu era menino de rua em Curitiba e comecei furtar carros quando tinha 12 anos. Aprendi a usar micha (chave falsa) com um tal de Cabide, que era chefe de quadrilha. Recebia por cada carro furtado uns R$ 120,00, contou.
A sua primeira prisão ocorreu quando ele completou 18 anos e foi condenado a cinco de detenção. Depois de cumprir quatro anos, foi transferido para a Colônia Penal Agrícola, onde deveria completar a pena. Fugiu - segundo afirma - para não voltar à Penitenciária de Curitiba. Era acusado de consumir drogas.
Juro que nesta estava inocente. Já passei por todas as drogas e hoje não quero fumar nem maconha. Um policial da Colônia achou perto de onde eu estava uma bituca de maconha e disse que era minha. Eu tentei explicar mas ele não quis saber de nada. Daí eu fugi. Não iria aguentar voltar para a Penitenciária de Curitiba. Na opinião de Marcos, a prisão não educa ninguém.
Marcos diz se arrepender de ter praticado o assalto em Londrina. Não entendo minha cabeça. Não sei por que fui roubar gente pobre igual a mim.
Marcos conta que sua vida criminal começou quando tinha seis anos. Um ano antes, havia perdido seus pais. Sem parentes, foi levado para um asilo de crianças, onde, segundo diz, apanhava muito. Fugiu do asilo e ficou na rua. Com ironia, ele comentou sua aparência física: Eu sou feio desde que nasci. Criança feia não agrada adulto e nunca ninguém me disse que queria ficar comigo. Sem parente, eu coloquei na minha cabeça que tinha que sobreviver sozinho e aí fui me virando como podia.
Marcos não estudou mas aprendeu sozinho a ler e escerver. Ele diz ter aprendido rápido a arte de em menos de 30 segnudos furtar um carro. Quando criança, queria se tornar engenheiro. Agora, diz que espera apenas conseguir a liberdade após cumprir pena pelo assalto. Quem sabe depois começarei a estudar e ter alguém comigo. Ele chorou ao lembrar dos pais. Se eles vivessem, eu não seria ladrão.
O delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial, Valdir Abrahão, penalizou-se com a situação de Marcos e prometeu auxiliá-lo. É um brasileiro que poderia ser bom. Se recebesse ajuda.





