Os animais costumam ficar com o laçador cerca de dez dias
Os animais costumam ficar com o laçador cerca de dez dias | Foto: Ricardo Chicarelli



Responsável pela apreensão de animais de grande porte na área urbana de Londrina, Ademir de Souza, de 64 anos, realiza o trabalho há três anos para a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema). Mas não ouse chamá-lo de caubói do asfalto. "Sou tradicionalista. Me chame de laçador", pede ao conceder a entrevista para a Folha. Na tarde desta quinta-feira (2), ele recebeu a equipe sem a pilcha típica dos laçadores, mas com um uniforme da Sema e com um chapéu próprio para enfrentar o sol escaldante, desses de aba inteiriça.

Souza aprendeu a laçar gado no campo, quando residia em Ivaiporã (Vale do Ivaí), na década de 1980. Atualmente é presidente e patrão do Centro de Tradições Gaúchas Novas Coxilhas, em Londrina e é fabricante de móveis com madeira de demolição. Ele conta que há três anos recebeu a sugestão para participar do processo licitatório da Sema para a captura de animais de grande porte nas vias urbanas. Habilidoso com o laço, Souza sempre participa de competições do gênero e viu na proposta uma maneira de usar o seu hobby para aumentar a sua renda. Ele e outras três pessoas ganharam a licitação e passaram a capturar os animais pela cidade.

Mesmo com tanta habilidade no laço, ele precisou aprender a realizar o serviço em meio aos veículos. "Coloque aí em sua matéria para que os motoristas diminuam a velocidade quando a gente pedir. A gente sinaliza para o povo reduzir, mas aí que eles aceleram mais. Uma hora um animal vai assustar e irá partir para cima do carro. Hoje (quinta) de manhã, por exemplo, estava pegando um cavalo perto da Rodoviária e o pessoal passou correndo por mim. Os caras não seguram", critica, explicando que várias vezes quase foi atropelado pelos veículos.
Entre os locais em que realiza capturas estão pontos bem movimentados da cidade, como as avenidas Dez de Dezembro e Leste-Oeste, Rua Pernambuco, Calçadão e PR-445.

"Recentemente capturei um cavalo em frente ao 4º Distrito Policial (Avenida Dez de Dezembro) e ali é complicado. Como meu laço é comprido, consegui pegar o cavalo de primeira", relata. Mas já houve casos em que ele teve muito trabalho, como quando perseguiu um cavalo na PR-445. O animal passava de uma pista para outra o tempo todo e a cada transição a equipe tinha que dar uma volta grande até o próximo retorno.

Ao mostrar dois dos animais capturados recentemente, Souza diz que é difícil chegar perto deles. "É preciso conhecer o animal. Se eu me aproximar com o braço levantado, ele acha que vou bater nele. Mas se eu levar a minha mão na altura do focinho dele, ele fica mais dócil", revela. Para o laçador, é mais fácil lidar com os animais do que com os seres humanos, já que recebe ameaças de donos de animais que tiveram seu animal apreendido. "É um serviço difícil. Todos querem reaver seus animais e, quando não conseguem, passam a ameaçar", afirma, acrescentando que, apesar dos problemas, gosta da sua profissão.

Segundo ele, os animais ficam em média 10 dias com os laçadores. Apesar do pouco tempo de contato é possível se apegar a eles. "Tem alguns que vêm muito maltratados. A gente passa vermífugo, cuida deles", conta.

Souza realiza o serviço diariamente, das 7 às 18 horas, mas diz que os principais acidentes envolvendo animais ocorrem no período da noite. "Esse serviço deveria ser realizado 24 horas", afirma.

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