Curitiba –   Laboratórios para o estudo da dengue estão sendo montados em Curitiba, com o objetivo de detectar a presença e o tipo dos vírus que circulam no Estado e testar a resistência do mosquito vetor aos produtos usados para combatê-lo. Serão dois laboratórios complementares, que devem ser concluídos no mês que vem, tornando-se referências no Sul do País no estudo da prevenção da doença.
  O Ministério da Saúde aprovou as plantas das unidades, localizadas no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), e no campus Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O projeto receberá recursos de R$ 450 mil da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
  As pesquisas sobre a resistência do mosquito já eram feitas na UFPR. Agora o projeto pode ser ampliado e incluir a detecção viral precoce. Esta etapa vai identificar que variedades do vírus, entre as quatro existentes, estão presentes em cada região do Estado, antes que o vírus atinja a população. ‘‘Uma vez instalada a epidemia, é muito mais difícil combatê-la’’, diz o coordenador do projeto, Mário Navarro, do departamento de Zoologia da UFPR.
  A nova estrutura do laboratório da Universidade terá um nível de segurança maior do que tem hoje, seguindo os padrões recomendados pelo Ministério da Saúde. Para isso, serão instaladas portas especiais, com cortina de vento, nas salas onde ficarão os insetários com as colônias de mosquitos, que virão de todas as regiões do Estado.
  Para Navarro, a união das secretarias de Estado com a universidade é importante para solucionar um problema grave, como a dengue. ‘‘Já havia pessoas capacitadas a estudar o problema, e a união de esforços, de competências, vai permitir que as pesquisas avancem.’’ A secretária da Seti, Lygia Pupatto, afirma que ‘‘o desafio é levar a ciência e a tecnologia para as pessoas que precisam; mostrar que elas estão presentes em seu dia-a-dia e que podem contribuir para melhorar a qualidade de suas vidas.’’

Inseticidas
  Em outra frente, os pesquisadores vão monitorar a resistência do mosquito aos inseticidas. Duas substâncias são utilizadas para eliminar as larvas e o mosquito adulto. Como elas estão em uso há 40 anos, a resistência do mosquito a estes agentes está aumentando e a dose necessária para eliminá-lo passa a ser maior. ‘‘Nas colônias que estamos estudando, já foi detectada uma pequena resistência’’, afirma o aluno de doutorado Jonny Duque Luna, participante do projeto. A descoberta sinaliza a importância da cautela na hora de decidir que estratégias de controle do vetor serão usadas. O monitoramento permite que os inseticidas sejam aplicados em doses eficazes para matar o mosquito.
  A vigilância entomológica e viral deve diminuir o número de ocorrências de dengue, principalmente nas regiões Oeste, Centro Ocidental, Noroeste, Norte Central e Norte Pioneiro, que são as mais atingidas. Ano passado, o Paraná foi o Estado que teve a 8ªmaior taxa de incidência de dengue no País, com 464,8 casos por 100 mil habitantes, de acordo com o Ministério da Saúde. Neste ano, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, 846 casos notificados da doença foram confirmados por laboratório até o dia 7 de julho. Houve queda de 97% em relação ao mesmo período do ano passado.

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