Laboratórios da UEM podem ser interditados
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quarta-feira, 26 de abril de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os laboratórios da Universidade Estadual de Maringá (UEM) correm risco de ser interditados devido a problemas na gestão de resíduos químicos. Vence hoje o prazo de 72 horas dado pelo promotor de Defesa do Meio Ambiente de Maringá, Manoel Heckert, para que a UEM atenda às normas ambientais. Na edição de ontem, a Folha denunciou que na Universidade Estadual de Londrina (UEL) cerca de uma tonelada e meia de embalagens com substâncias perigosas estão armazenadas ao ar livre, sem qualquer proteção, em um corredor do departamento de
Química.
Embora tenha sido intimada, a UEM está em situação um pouco melhor que a da instituição londrinense. No campus de Maringá já existe um depósito onde estão sendo armazenados os resíduos químicos gerados em todos os laboratórios. Segundo a coordenadora do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da UEM, professora Marlene Gobbi, o depósito foi construído há cerca de 10 anos e já está abarrotado. Temos um passivo acumulado de 30 anos, ressaltou.
Marlene informou que UEM está fechando contrato com uma empresa curitibana para transportar e dar um destino aos resíduos. Paralelamente, estamos conscientizando a comunidade acadêmica para que procure trocar os materiais utilizados em laboratórios por substâncias menos impactantes. O ácido sulfúrico, por exemplo, pode ser substituído pelo ácido acético, que nada mais é que vinagre, exemplificou.
Não estamos intimando a UEM por suspeita de que vá ocorrer um sinistro. O problema é que os laboratórios não têm licenciamento ambiental para manipular produtos perigosos. E o depósito de resíduos, que era provisório, está se tornando definitivo, esclareceu o promotor, que move uma ação civil pública contra a UEM. Heckert lembrou que desde 2003 vem dando prazos para que a universidade se adeque às exigências ambientais, sem sucesso, e por isso resolveu dar um ultimato. Eles terão que mostrar quais providências estão tomando, pedir uma vistoria do Corpo de Bombeiros nos laboratórios e tirar as licenças, asseverou.
Já na UEL, o Conselho de Administração (CA) deve decidir hoje se aprova a construção de dois depósitos provisórios para os resíduos químicos. Enquanto isso, produtos tóxicos e inflamáveis continuam estocados em área de livre acesso, perto da Ludoteca - onde crianças fazem atividades. A promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Solange Vicentin, disse ontem que ainda não tinha conhecimento do problema e que iria solicitar a uma equipe da Vigilância Sanitária que fosse até o local.
O coordenador da Vigilância Sanitária, Rogério Lampe, foi informado do fato pela reportagem anteontem. Mesmo assim, respondeu que só poderia enviar fiscais para verificar a situação na UEL se receber uma denúncia formal pelo telefone de reclamações. Não temos pessoal para fazer buscas ativas, só meidante reclamações ou vistorias de rotina, justificou. Segundo ele, a UEL é vistoriada uma vez por ano. O armazenamento irregular de resíduos tóxicos no campus já tem pelo menos três anos.


