A utilização de bactérias para exterminar insetos não é novidade. No entanto, o Laboratório de Produção de Medicamentos (LPM) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está inovando com a produção de um bioinseticida para combater o mosquito da dengue. Além da utilização dirigida, a novidade é que o produto, ao contrário dos produzidos fora do Brasil, é sólido. O comprimido do inseticida, segundo o pesquisador e professor da UEL, José Lopes, vai garantir mais eficiência no combate à larva do Aedes aegypti. Outra vantagem é que o inseticida, de acordo com o pesquisador, é inócuo ao meio ambiente, não polui e não prejudica outros tipos de vida.
As pesquisas com a bactéria bacilus thuringiensis começaram em 1994 e a expectativa é que no próximo ano o produto possa ser comercializado, com o desenvolvimento da formulação do bioinseticida. Por enquanto, o produto ainda está em fase ‘‘artesanal’’ e precisa ser aplicado em até 48 horas depois de ser produzido, para não perder sua eficiência. Uma parceria com a Paraná Tecnologia e a Fundação de Apoio a UEL (Fauel/LPM), com um financiamento de cerca de R$ 50 mil, vai permitir a formulação do bioinseticida.
De acordo com a pesquisa, a larva é exterminada através de um cristal, produzido pela bactéria durante seu processo de reprodução. O cristal se transforma de protoxina para toxina no organismo da larva e a extermina. O bioinseticidade deve ser aplicado em caixas d’água ou locais onde existe a larva. A dosagem ainda será determinada assim que o produto for formulado. ‘‘O bioinseticida vem sendo testado com eficiência em Londrina, Cambé, Rolândia e Ourinhos (SP) em lagoas de tratamento de efluentes’’, explicou Lopes. A UEL também vai produzir o bioinseticida na forma líquida para grandes lagos.
O custo do produto, segundo Lopes, deverá ser dez vezes menor que produto importado. ‘‘Deve ficar um pouco mais caro que o inseticida químico, mas as vantagens ecológicas valem a pena.’’

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