Laboratório faz DNA para carente
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quinta-feira, 25 de abril de 2002
Maigue Gueths Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná ganhou o primeiro laboratório do País que fará exames de paternidade gratuitos para famílias carentes que estão com processos na Justiça. Trata-se do Laboratório de Genética Molecular Forense (LGMF), inaugurado ontem no Instituto de Criminalística do Paraná, que irá realizar exames de DNA para ajudar em investigações da polícia para identificação de criminosos, e na comprovação de paternidade nos casos que tramitam na Justiça.
O laboratório exigiu investimento de R$ 922 mil, numa parceria entre o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Fundo da Infância e Adolescência (Cedca/PR-FIA) que investiu R$ 600 mil e as secretarias estaduais da Justiça e da Segurança, que participam do programa com técnicos treinados e o espaço físico. Os governos de São Paulo e Distrito Federal já possuem laboratórios próprios para exame de DNA, mas são usados apenas para solucionar casos criminais. O Paraná é o primeiro a atender gratuitamente também os exames de paternidade.
Segundo a presidente do conselho, Hermida Venturini, há cerca de 10 mil processos de paternidade parados na Justiça porque as famílias não têm recursos para pagar o exame de DNA, que custa R$ 1 mil em laboratórios particulares. No início serão realizados 50 exames de paternidade por mês, o que resulta na capacidade de até 500 testes até o final do ano. Este número, no entanto, pode aumentar dependendo dos recursos disponíveis para material.
A princípio o laboratório analisará os casos da Capital, mas a partir de julho a secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, acredita que já estará recebendo material coletado em outros municípios. As primeiras cidades beneficiadas devem ser Londrina e Cascavel. A expectativa é que em três anos já estejam resolvidos os casos represados na Justiça atualmente. O exame será gratuito para famílias com renda de até um salário mínimo e meio (R$ 300,00). As demais pagarão uma pequena taxa proporcional à renda familiar e em condições facilitadas.
Além de ser um ato de cidadania, que vai permitir que crianças carentes saibam quem são seus pais, o laboratório vai ajudar na apuração dos crimes, disse o governador Jaime Lerner (PFL). Segundo o secretário da Segurança, José Tavares, na área criminal, o laboratório vai permitir que a polícia aumente o número de crimes soclucionados, como estupro e homicídio. Os equipamentos vão permitir a análise de provas e elementos encontrados no local do crime, como fios de cabelo e sangue.
Tavares calcula que existam cerca de 900 casos com material recolhido no local do crime, aguardando pelos testes de DNA.


