Laboratório de remédios da UEM produz só 10% da capacidade
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
O Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Medicamentos e Cosméticos (Lepemc) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) está produzindo apenas 10% de sua capacidade porque ficou sem compradores entre as prefeituras e o governo do Estado. Nos últimos anos, o Estado deixou de firmar convênios com o Lepemc. O laboratório tem estrutura para produzir 10 milhões de comprimidos e 100 mil frascos de medicamentos básicos por ano.
Entre os remédios fabricados pelo laboratório estão os mais utilizados pela rede pública, como a dipirona e metoclopramida em solução oral, cloreto de sódio em solução nasal e comprimidos de AAS 100 mg, AAS 500 mg e de sulfametoxazol mais trimetroprima. Mesmo conseguindo produzir a custos reduzidos, o Lepemc está perdendo concorrência para as distribuidoras comerciais.
Segundo o coordenador do Lepemc, Osvaldo Cavalcanti, o governo do Estado suspendeu o convênio com a universidade porque montou o Consórcio Intergestor de Medicamentos, cujas compras são feitas em sua maioria de distribuidoras de outros Estados. Cavalcanti diz que as empresas conseguem oferecer preços mais baixos do que o laboratório. O Lepemc produz a dipirona a R$ 0,27. Não sei como as distribuidoras fazem, porque tradicionalmente nunca venderam mais barato do que os laboratórios estaduais, afirma Cavalcanti. Nas farmácias, a dipirona oral é vendida em média a R$ 3,50.
Como o laboratório só pode produzir e vender para órgãos públicos, o Lepemc vai tentar negociar com universidades de outros Estados. O coordenador informa que laboratórios universitários, como o de Santa Catarina, demonstraram interesse em firmar convênio de produção e compra de remédios do Lepemc. Naquele Estado o governo vai iniciar um programa para a terceira idade e precisa de remédios básicos para hipertensão e diabetes, informa Cavalcanti.
Conforme o coordenador, o ideal é que o laboratório continue a produção porque o processo faz parte do ensino de aprimoramento técnico e científico dos acadêmicos do curso de Farmácia. Atualmente, o Lepemc produz apenas para as prefeituras de Maringá e Campo Mourão. No Paraná, além da UEM, existem laboratórios nas universidades estaduais de Londrina (UEL) e em Ponta Grossa (UEPG). Agora devemos percorrer caminhos como da UEL, que já partiu para a terceirização e produz para São Paulo, ressalta Cavalcanti.


