Juliana Tonelli, supervisora do curso de inglês para crianças: "Separamos por faixas etárias mais próximas e buscamos entender os gostos deles"
Juliana Tonelli, supervisora do curso de inglês para crianças: "Separamos por faixas etárias mais próximas e buscamos entender os gostos deles" | Foto: Ricardo Chicarelli



O Laboratório de Línguas da UEL (Universidade Estadual de Londrina) ofertará curso de inglês para crianças de 5 a 12 anos. As aulas serão realizadas semanalmente, com material didático e programa das aulas preparados pelos docentes e estagiários do curso de letras. As inscrições serão abertas em 12 de fevereiro para duas turmas e as aulas começarão em 13 de março.

Oferecido desde 2013, o curso para crianças tem como base pesquisas desenvolvidas pelo departamento de Letras e experiência dos docentes especialistas em aprendizagem infantil em inglês. "Muitos pais estão interessados em ter os filhos aprendendo o mais cedo possível a língua inglesa. Apesar de muitas escolas particulares já oferecerem opções, com este desenho pedagógico e como oferta de uma universidade pública, este curso é provavelmente o único", afirma a supervisora do curso e docente do departamento de letras, Juliana Tonelli.

O diferencial do curso está em utilizar metodologias atualizadas de aprendizagem e a preocupação com os interesses dos alunos. "O primeiro passo é conhecer a turma antes de começar as atividades. Separamos por faixas etárias mais próximas - já que abrimos para crianças de 5 aos 12 anos - e buscamos entender os gostos deles. Sem isso a rotina das aulas pode se tornar desinteressante, e o que queremos é o máximo de aproveitamento", reforça a supervisora.

As aulas terão a duração de 1h e 40 minutos, uma vez na semana. "Como os mais novos tendem a ficar mais cansados, adaptamos para a carga horária ficar concentrada em um dia da semana. Há também o pedido dos pais, para facilitar o deslocamento até a UEL", observa. A cada semestre as aulas são renovadas e preparadas em conjunto, por docentes e estagiários que ministram as aulas. Isso garante a troca de temas, sem o risco de repetir conteúdos para as turmas que seguirem estudando. Assim como nos outros cursos do Laboratório de Línguas da UEL, qualquer pessoa pode se candidatar, não é preciso ser aluno ou estar ligado à comunidade interna. O laboratório é ligado ao Departamento de Letras Estrangeiras Modernas.

FUTUROS DOCENTES
A proposta da UEL é a primeira do Brasil e uma das poucas que oferece - além das aulas para a comunidade - a formação de professores para a educação infantil em inglês, como ressalta a supervisão. "O número de profissionais com capacitação na área não acompanhou a demanda da sociedade, por isso o curso serve também para preencher esta lacuna. A realidade está pressionando para que professores de língua estrangeira tenham essa capacitação também".

Segundo Tonelli, o deficit de profissionais pode ser explicado em parte pela estrutura curricular das graduações em letras. "Como a lei que rege os currículos prevê a formação de docência para atuar a partir do 6º ano do Ensino Fundamental, a metodologia para crianças abaixo dessa faixa etária fica excluída. Muitos professores têm contato com turmas infantis apenas depois de formados, na prática. Por isso nosso trabalho aqui é tentar mudar o padrão acadêmico, para responder às demandas da prática profissional. "

Os estagiários da graduação em letras na UEL podem também atuar no ensino de inglês para crianças de 3 a 6 anos na creche da UEL. As crianças têm aulas de inglês como parte da grade curricular, juntamente com outras disciplinas. Há ainda um projeto para que aulas de inglês sejam ensinadas para as turmas de educação fundamental do Colégio de Aplicação, com mais um campo de estágio para os futuros professores.

MISSÃO CUMPRIDA
A professora Juliana Tonelli, que sempre trabalhou com o ensino de inglês para crianças e trouxe para a UEL a ideia do curso no Laboratório de Línguas, defende que esta iniciativa contempla as três funções básicas da universidade: ensino, pesquisa e extensão. "No ensino, preparamos docentes com uma habilidade adicional para a carreira; na pesquisa, geramos muito material para artigos, teses e outros trabalhos de pesquisadores do departamento por meio das discussões e planejamentos das aulas. E a extensão, conseguimos atingir a comunidade interna e externa em camadas bastante variadas, seja de idade ou de conhecimento."

Além do conhecimento que se adquire, o papel do curso de inglês para as crianças é o da inclusão, reforça Tonelli. "Oferecemos também uma forma de inserção social de crianças com condições financeiras mais limitadas. É um curso de qualidade com um custo sequer comparável com outros do mercado. Estamos também devolvendo à sociedade o investimento feito no ensino superior pelos impostos pagos."

NOVE OFERTAS
O Laboratório de Línguas da UEL surgiu como atividade de apoio para os cursos de licenciatura inglês e francês em 1974. Atualmente, o número de alunos matriculados a cada semestre chega a 1.100 e as aulas são abertas a todos os interessados. Nove idiomas são ofertados, os mais recentes são grego clássico e latim, para atender os pedidos de docentes de história e filosofia. As outras opções são alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, mandarim e português para falantes de outras línguas.

Adriana Fiori, coordenadora do Laboratório de Línguas da UEL
Adriana Fiori, coordenadora do Laboratório de Línguas da UEL | Foto: Ricardo Chicarelli



Entre os cursos que mais crescem em procura está o de inglês para crianças, conta a coordenadora do Laboratório, Adriana Fiori. "Os cursos de inglês sempre foram os mais procurados, com maior número de turmas - 55 grupos - e o trabalho feito com crianças nesse idioma ganha cada vez mais destaque."

Segundo a coordenadora, quem procura o Laboratório de Línguas tem interesse em vivenciar o ambiente da universidade também. "Os alunos que vêm de fora da universidade demonstram muita vontade em ter aulas aqui, especialmente os jovens do Ensino Médio, que buscam entrar na UEL futuramente", explica.

Em análise recente feita pela coordenadora, ficou comprovado que metade do público do laboratório é formada por pessoas sem ligação com a UEL. Para ela, isto prova que quem frequenta acaba gostando e reconhece a qualidade. "Nossos cursos também têm uma carga horária acima da média de outras escolas do gênero. Somam 50 horas/aula, enquanto outras escolas atingem de 42 a 45 horas/aula em média. E o preço é bastante competitivo, acessível", reforça.

SERVIÇO - Mais informações sobre os cursos ofertados no Laboratório de Línguas da UEL no www.uel.br/cch/lablinguas ou fone (43) 3371-4296

Supervisão: Lucilia Okamura - editora Cidades

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