Uma ação conjunta das secretarias estaduais da Segurança Pública, Justiça e Cidadania, e Criança e Assuntos de Família vai viabilizar, já no início do próximo ano, o funcionamento do primeiro Laboratório de Genética Molecular Forense, vinculado ao Instituto de Criminalística do Paraná. O laboratório vai realizar exames gratuitos para determinar a paternidade dos menores carentes residentes no Estado e exames de DNA forenses para determinar a identidade de criminosos e vítimas, além de viabilizar a criação de um banco de perfis genéticos de estupradores.
Segundo o diretor do Instituto de Criminalística do Paraná, José Lourenço Bueno, graças à parceria entre as três secretarias, o Paraná irá contar com um laboratório sofisticado, com equipamentos de última geração, operados por três peritos criminais especializados, além de uma equipe técnica de apoio, indispensável para a modernização da área da segurança proposta pelo governo do Estado.
O laboratório será instalado numa área de aproximadamente 180 metros quadrados, no prédio do Instituto, que será adaptada para receber os equipamentos. Para essa obra serão utilizados recursos da ordem de R$ 130 mil, do Plano Nacional de Segurança Pública, do governo federal. A montagem do laboratório será feita com recursos do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente (Cedca), no valor de R$ 596.805,00. Os recursos humanos serão viabilizados pela Secretaria da Segurança Pública e a manutenção mensal dos materiais utilizados nos exames será feita pela Secretaria da Justiça.
A iniciativa do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, presidido pela secretária da Criança, Fani Lerner, vai garantir a todos os menores do Estado a realização dos exames de reconhecimento de paternidade. A expectativa é de que o laboratório emita em torno de 40 laudos mensais. Atualmente, só fazem exames as crianças cujas mães têm condições financeiras para pagar cerca de R$ 1.000,00 a um laboratório particular.
Os resultados dos exames também serão agilizados. A expectativa é de fiquem prontos entre dois e três dias. Outra vantagem de se contar com um laboratório próprio do Estado é o custo do exame, que deve cair pela metade. Mas para a presidente do Conselho, mais importante do que os valores, é o aspecto social desses exames. ‘‘Não podemos esquecer que, antes das questões materiais, como receber a pensão mensal, essas crianças precisam ver definido o vínculo com seus pais, para poderem se desenvolver emocionalmente e afetivamente’’, diz Fani.
Agilidade na solução de crimes
No setor de investigações policiais, o laboratório de genética molecular representa um salto de qualidade e agilidade na solução de crimes e identificação de vítimas e criminosos. Atualmente, os exames de DNA forenses, capazes de identificá-los através de materiais como saliva, fio de cabelo, amostras de sangue, fluidos do corpo, pedaços de fígado e fêmur, são realizados graças a uma parceria com o laboratório Frischmann-Aisengart, que disponibiliza os equipamentos aos peritos da Criminalística quando não estão sendo usados pelos seus bioquímicos, limitando a necessária necessária.
A demanda reprimida hoje já está em 200 exames. Quando começar a funcionar, o laboratório de genética molecular terá condições de realizar até 20 exames mensais, contra a média atual de quatro exames. A criação de um banco de perfis genéticos de estrupadores é outra possibilidade que entusiasma o diretor do Instituto de Criminalística. ‘‘Esse é um tipo de crime que costuma ser repetido pelo seu autor, mesmo após cumprir a pena prevista. Com o banco de dados, podemos identificar o criminoso com rapidez, direcionando o trabalho da perícia para a coleta de vestígios orgânicos na vítima, ou exame de necrópsia, caso haja morte’’, explica José Lourenço.

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