Laboratório da prefeitura é interditado
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terça-feira, 18 de novembro de 2003
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
A Central de Laboratórios da Autarquia Municipal de Saúde (Centrolab) foi interditada ontem de manhã depois que parte do forro de gesso de duas salas cedeu com a água da chuva. A interdição foi determinada pelo engenheiro de segurança do trabalho da Prefeitura de Londrina, Rui Manoel da Silva. ''O laboratório deve ficar fechado por até 60 dias, ou até que a concretagem da laje da obra que está sendo feita seja concluída completamente'', explicou.
O laboratório está instalado no mesmo prédio onde funciona o Pronto Atendimento Infantil (PAI) no centro de Londrina. Na parte superior, a prefeitura está construindo o Pronto Atendimento Adulto (PAA). Na quinta-feira passada, afirma Silva, um funcionário da obra tentou desentupir um ralo na cobertura do laboratório que serve para escoar água da chuva e acabou quebrando a tubulação que estava entupida e parte do forro de gesso.
Silva disse que na sexta-feira os funcionários do Centrolab tinham observado tremores na cobertura por causa da concretagem da estrutura do PAA. Durante o final de semana, os operários da obra instalaram no interior do laboratório escoras de metal para que a concretagem não colocasse em risco a estrutura do prédio.
O engenheiro responsável pela construção do PAA, Juliano Strini, explicou que o acidente de ontem aconteceu porque os canos que fazem o escoamento pluvial não estavam fixados de forma adequada e acabaram cedendo com o volume de água da chuva. ''Os tubos não tinham braçadeiras para segurá-los, e acabaram se desencaixando em dois pontos'', diz.
Segundo a gerente de Apoio de Diagnóstico do Centrolab, Fátima de Castro, apesar de a água da chuva ter invadido duas salas com vários equipamentos eletrônicos, não houve perdas. Em uma das salas está instalado o Axsym, um equipamento que faz dosagem de hormônios e testes de comprovação de HIV (vírus da Aids). ''Mas já o testamos e continua funcionando normalmente'', comenta.
Ela afirma ainda que não houve perda de material coletado para exame. Com a interdição, o Centrolab deixará de realizar cerca de 2,5 mil exames/dia de toda a rede municipal de Saúde. ''Mas já estamos entrando em contato com outros laboratórios que deverão realizar os exames do material coletado'', diz.
O diretor de Ações em Saúde da Autarquia, Sérgio Canavese, afirmou que hoje os funcionários do laboratório se reunirão para decidir o que será feito enquanto o local estiver interditado. ''Primeiro temos de garantir a segurança dos funcionários e depois a continuidade do serviço que é essencial'', afirmou.
Canavese afirma que serão discutidas três alternativas. A primeira poderá ser a realocação da estrutura do laboratório para outra parte do prédio. A outra alternativa é distribuir os funcionários em laboratórios conveniados com a Autarquia Municipal para eles realizarem os exames. A terceira opção é conceder férias coletivas para todos os 50 funcionários, e repassar o material a ser analisado para os laboratórios realizarem os exames. A Prefeitura tem um gasto mensal de R$ 150 mil com a realização de 20 mil exames.
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, afirma que vai solicitar a realização de um laudo técnico para apurar responsabilidades do acidente de ontem. ''Se ficar comprovado que houve falha técnica por parte da empresa que construiu o local, vamos acioná-la na Justiça'', diz.


