Outra modalidade esportiva bastante diferente de tudo o que se pratica por aí, e que tem base na filosofia oriental, é a arquearia japonesa ou kyudo. Segundo o treinador Cassiano Gomes, além de praticar o sumô, alguns jovens do projeto de inserção social se dedicam a outras artes marciais oferecidas pela Associação Kaiko, inclusive o kyudo. Duas vezes por semana, os rapazes vestem o hakama - vestimenta negra, típica dos arqueiros - e meditam antes de acionar os arcos para acertar as setas nos alvos.
Cada arqueiro aprende a fazer sua própria vestimenta e seus próprios arco e setas, com ou sem pontas, antes de iniciar a prática. Conforme o treinador, em até três meses é possível aprender a manusear o equipamento.
Aos 18 anos, Caio Cosme Gomes perdeu as contas de quantas artes marciais já praticou na vida: cerca de 15. ''Mas amo basquete'', confessa o rapaz, lamentando o pouco tempo que tem para se dedicar ao esporte. Para ele, a arquearia surgiu como um complemento às demais artes, que pratica desde os cinco anos. ''Como eu era hiperativo meu pai me colocou para fazer kendô, e como a família inteira praticava artes marciais, resolvi seguir'', lembra Caio, filho mais novo do treinador Cassiano Gomes.
''Arquearia é muito relaxante, você solta todo o sentimento guardado num único disparo, numa única respiração. Também aprendi a controlar meu próprio corpo e com a prática da postura, diminuíram as dores que sentia nos ombros'', opina o arqueiro.
Vendo Natanael Moreira Júnior, 35, conduzir o treinamento de kyudo, ninguém pode imaginar que no dia a dia ele trabalha como representante comercial. Praticante de artes marciais desde os 15 anos, há dez ele decidiu dedicar-se à arquearia japonesa como forma de espiritualização. ''É a concentração aliada à técnica'', define.
Conceitos de disciplina e ética aprendidos na academia são aproveitados por ele na rotina familiar e de trabalho. ''Como é um esporte coletivo, contribui para a formação de caráter e ensina a respeitar não só o adversário dentro da academia, mas o semelhante lá fora'', diz o arqueiro, que vê no kyudo mais que uma prática esportiva: ''É um caminho a seguir, algo para melhorar a qualidade de vida''.
Atualmente, o kyudo é praticado principalmente para o desenvolvimento físico, moral e espiritual, mas no passado, o arco era utilizado na caça, guerra, rituais da corte, em torneios e cerimônias religiosas japonesas, relembra o treinador Cassiano Gomes. (M.G.)

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