Kumon completa 20 anos no país
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de agosto de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
O Kumon (método japonês de ensino da matemática) completa 20 anos no Brasil. A primeira escola foi aberta em 1977, em Londrina, pela professora Suzane Kabe. Na época, ela dava aulas em sua casa e tinha cerca de 10 alunos. Hoje, existem quase 1.800 unidades de ensino do Kumon no País, onde estudam aproximadamente 62 mil alunos.
Suzana Kabe afirma estar surpresa e confessa que não esperava que o método repercutisse tanto no País. Ela continua ensinando Kumon, sendo proprietária de duas unidades em Londrina, responsáveis por cerca de 400 alunos.
Em todo o Brasil estão sendo programadas comemorações para o 20º aniversário do método. Em Londrina, a data será lembrada em setembro com o lançamento em português do livro O Estudo Gostoso da Matemática - O Segredo do Método Kumon, escrito por seu criador, o professor Toru Kumon.
Dorico da SilvaSe o método não fosse bom, as escolas já teriam fechado suas portas
Fernando Fujita, coordenador de f
O professor desenvolveu este método de ensino em 1954, na cidade de Osaka, para ajudar seu filho, que cursava a 2ª série do 1º grau e ia mal na disciplina. Ele elaborou um programa de estudos, escrevendo os exercícios de matemática em diversas folhas. Através dos exercícios Toru Kumon pretendia dar uma base sólida e segura e também fazer com que o filho desenvolvesse suas potencialidades.
O coordenador da filial do Kumon em Londrina, Luis Fernando Fujita, observa que uma das características do método é o ensino individualizado. Os alunos ficam agrupados em uma mesma sala, mas cada um tem o seu programa de estudo e resolve seus exercícios individualmente, sem muita intervenção do professor. Ao final da aula, o professor faz as correções. A evolução no curso vai depender do esforço de cada aluno.
Outro ponto que Fernando Fujita destaca é a necessidade do aluno estudar em casa. Ele frequenta a unidade duas vezes por semana, permanecendo em média uma hora, mas sempre leva tarefa para casa. Os exercícios devem ser feitos diariamente, sendo que existe um tempo mínimo e máximo para resolvê-los.
Suzana Kabe ressalta ainda que para o bom desempenho do aluno, não só no Kumon, mas na educação em geral, é importante a participação dos pais. Eles têm que encorajar e exigir, quando necessário, para os filhos poderem avançar cada vez mais, afirma.
Antes de entrar para o curso, o estudante faz um teste para saber em qual estágio se encaixa. Fernando Fujita observa que o estudante sempre partirá um ponto fácil. Quando ele faz uma coisa que domina, ele terá uma motivação para aprender mais, afirma. Segundo ele, a matemática é uma disciplina que geralmente não agrada os estudantes justamente porque na escola, geralmente, o conteúdo deve ser dado em determinado tempo. Às vezes o aluno não está firme, mas tem de partir para a frente, daí ele acaba não gostando da matemática, opina.
Segundo o coordenador, no Kumon, a matemática é ensinada de forma lenta e gradual. Em cada um dos estágios, o estudante tem de resolver determinados exercícios de matemática. Só passa para a outra fase quando tem um acerto de 100%. O aluno só passa para outra fase se o conteúdo estiver bem solidificado, garante. Ao todo, são 21 estágios, sendo que em cada um deles o aluno tem de resolver 200 folhas de exercícios.
Suzana Kabe explica que, em caso de erro, é apontado somente o exercício em que o aluno cometeu a falha. - ele próprio deve descobrir o erro. Segundo Fernando Fujita, o tempo para conclusão depende de cada aluno. Ao final, ele terá estudado conteúdos que geralmente são dados nos primeiros anos de faculdade.
Na opinião da professora, o método não favorece o aluno somente para melhorar seu desempenho em matemática. Ele desenvolve a concentração, disciplina, paciência e a perseverança, afirma. Fernando Fujita completa dizendo que o Kumon ensina a pessoa a ser autodidata.
A grande maioria dos alunos que frequentam as escolas de Kumon é pré-adolescente ou adolescente. Mas Suzana Kabe afirma que crianças da pré-escola já podem fazer o curso. Neste caso, as crianças aprendem os traçados e números e chegam até as primeiras questões de adição. O objetivo desta fase é dar base para a iniciação do aluno para o primeiro grau.
Fernando Fujita observa que o principal motivo dos alunos procurarem o Kumon é melhorar o desempenho escolar. Nos primeiros anos, segundo ele, a grande maioria dos alunos era de descendência oriental. Hoje, o quadro mudou bastante e é comum ver muitos descendentes de não orientais frequentando as salas de aula do Kumon.
Sobre as críticas que o método recebe, de que é repetitivo ou decorativo, Fernando Fujita acredita que vêm de pessoas que não conhecem o Kumon. Na matemática, cada problema ou soma é diferente de outro, não tem como ser repetitivo, afirma. Se o método não fosse bom, as escolas já teriam fechado suas portas, completa a professora.
A grande maioria dos estudantes que frequenta o curso de Kumon é adolescente ou pré-adolescente. Mas em uma sala de aula é possível encontrar pessoas que destoam deste perfil. A professora Suzana Kabe informa que sua aluna mais nova tem três anos. A mais velha, Julia Inada, tem 74 anos.
Júlia Inada começou a frequentar as aulas em uma escola do Kumon em 1993. Ela conta que foi professora de 1º grau durante 30 anos. Fiquei 10 anos parada e sentia a necessidade de fazer alguma coisa, relata. Júlia Inada diz que, incentivada pelo filho, procurou o Kumon e resolveu recomeçar a estudar.
No começo eu estranhava, tinha até vergonha de ficar no meio das crianças, revela. Mas com o tempo fui me acostumando e a cada dia que passava me sentia mais disposta, completa. Julia Inada diz que é um desafio ter de estudar todos os dias - ela fica cerca de 40 minutos diariamente resolvendo os exercícios.
Além de estudar, Júlia Inada também atua como auxiliar nas aulas, ajudando as crianças. Gosto de crianças e fico satisfeita vendo-as aprender, ressalta. Júlia Inada diz não saber quando poderá concluir o curso, mas garante que não pretende desistir tão cedo.
Quem já concluiu o curso é o estudante de Engenharia Civil, Eduardo Augusto Alves, 22 anos. Ele conta que começou a frequentar as aulas de Kumon quando estava na 7ª série e terminou o curso seis anos depois. Eu conheci o método quando a minha irmã começou a estudar. Eu resolvi entrar para me aprimorar, afirma. Ele afirma que valeu a pena fazer o curso e diz que, entre outros benefícios, o Kumon proporcionou amplitude de raciocínio.
A estudante Fernanda Alves, 18 anos, diz que começou a estudar matemática pelo método do Kumon quando tinha oito anos. Ela confessa que às vezes desanimava e tinha vontade de desistir. No começo estranhei, não estava acostumada a fazer exercícios todos os dias, observa. A estudante, que concluiu o curso em 10 anos, diz que ficou mais animada quando seu desempenho escolar melhorou.
A estudante Ana Cláudia Izumiti, 16 anos, que concluiu o curso em quatro anos, lembra que na escola seus colegas de classe sempre pediam ajuda para aprender matemática. Mas lembra também que tinha um professor que não gostava do método, por achar que ela fazia alguns exercícios pulando algumas passagens. Mas o Kumon ensina macetes, um jeito mais fácil de fazer os exercícios, justifica. A irmã de Ana Cláudia, Daniela, 15 anos, também concluiu o curso.


