Da Sucursal
Advogados de defesa voltaram a entrar em conflito com o juiz João Kopytowski em um julgamento realizado ontem na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Curitiba. O juiz já foi acusado por vários advogados de falta de isenção e de utilizar métodos pouco convencionais.
Ontem, os advogados Antonio Augusto Figueiredo Basto e Marco Antonio Vieira pediram o afastamento do juiz no caso, alegando envolvimento pessoal do magistrado com o réu e com os próprios advogados.
O juiz negou o pedido de afastamento e deu sequência ao julgamento do réu Santino Barbosa de Souza, acusado de homicídio em uma briga de rua no bairro Sítio Cercado, em 1988.
Segundo o Antonio Figueiredo Basto, o pedido de afastamento do juiz vai ser encaminhado ao Tribunal de Justiça. Os advogados de defesa levaram gravadores e uma câmara de vídeo ao tribunal, para registrar a conduta do juiz. ‘‘É a primeira vez que trago gravador a um tribunal, para poder utilizar como prova quando for necessário’’, diz Figueiredo Basto. Ele também acusa o juiz de não registrar em ata os pedidos da defesa. O julgamento não havia terminado até o fechamento desta edição.
Briga - No final de abril, o julgamento do músico Pedro Augusto de Oliveira, acusado de ter matado a esposa em 1992, foi suspenso após uma briga entre o juiz João Kopytowski e os advogados de defesa.
Os advogados protestaram contra os procedimentos do juiz e acusaram a quebra de incomunicabilidade dos jurados (que são proibidos por lei de conversarem durante o julgamento). Em seguida, eles saíram do Tribunal junto com o réu.
O juiz negou a quebra de incomunicabilidade e afirmou que a atitude dos advogados deixava o réu sem defesa. O conselho de sentença foi dissolvido e o julgamento foi adiado para uma data ainda não definida.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fez uma manifestação contra o juiz na frente do Tribunal do Júri e pediu a instauração de sindicância à Corregedoria Geral de Justiça, mas o processo ainda não obteve uma resposta. ‘‘Ele ultrapassou os limites que um juiz deve ter dentro da imparcialidade’’, diz o presidente da subseção de Curitiba e Região Metropolitana da OAB/PR, Dálio Zippin Filho.

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